
O blog está atrasadíssimo, mas eu não podia deixar de escrever sobre um grande acontecimento que ocorreu em Dezembro: o meu primeiro terremoto.


( E viva as camadas de roupa)O frio está chegando...Eu sei que você deve estar pensando que perto do resto da Europa aqui é quase um oásis, mas calma lá, vou tentar explicar pq não é tão fácil assim.
Imagina um inverno de uns 5 graus, ok? Pensa em como seria o seu dia-a-dia...Você acorda e a sua casa está quentinha, afinal tem um aquecimento central bárbaro, aí vc toma um banho delicioso, coloca uma roupa linda de inverno, igual aquela que vc vê em filme de Hollywood, um casaco chique, uma bota linda e um chapéu com estilo. Bom, pega o seu carro, liga o ar quente e vai cantando Feist até o trabalho. Lá estão todos aquecidos dividindo um bolo quentinho, muito humor e histórias do fim de semana.
Agora volta para a realidade de Lisboa. A minha realidade.
Eu acordo e a casa está um gelo, já que apenas 10% da população aqui tem calefação, e é claro que eu não faço parte dessa camada social. Para compensar tenho aqueles aquecedores de colocar na tomada, sabe? Tenho 2, mas se usá-los ao mesmo tempo cai a energia...Uma desgraça. Assim,levo um deles para o banheiro, que parece uma pedra de gelo. O banheiro tem 2 m por 2 m, então a chance de pegar fogo é grande, mas ok, melhor do que passar frio no boxe, afinal aqui todo mundo toma banho de chuveirinho...Imagina o sofrimento e o tempo que se leva para lavar o cabelo.
Saio do banho e coloco a maior quantidade de roupa que eu tenho no armário, vou colocando, uma em cima da outra, até ficar gordinha e ter dificuldade de locomoção. Cadê o glamour? Ficou apenas em Hollywood. É tanta roupa que mulher não precisa nem usar sutiã, não dá para ver nada...
Vou a pé para o trabalho pensando no frio que estou passando e na rua esburacada que estou andando. Então pergunto para mim mesma: Será que vai nevar e a cidade vai ficar linda? Não, aqui não neva, não vai ter diversão com bonecos de neve e esqui....Que deve ser a única coisa boa do inverno.
Assim, chego no trabalho e encontro mais 15 com frio, dividindo um café quentinho, muito mau-humor e histórias de como o verão é bom...e está longe de chegar.
Nunca me imaginei uma dona de casa, muito pelo contrario, sempre paguei muito caro para ter empregadas, comer fora e mandar roupas para a lavanderia. Sendo assim, consegui estabelecer uma marca incrível: cheguei aos meus 25 anos sem ter descascado uma cebola ou encostar numa cândida (lixívia).
Mas foi aí que chegou Lisboa, chegou a crise e chegou a sujeira e eu tive que aprender na raça como fazer para lavar, passar, cozinhar e ainda ser feliz com tudo isso.
Confesso que não levo jeito nenhum para nenhum dos itens acima, já queimei uma tábua de passar, coloquei fogo na cozinha fritando simples batatas fritas, transformei todas as minhas calcinhas brancas em rosas e por aí vai...O Bruno, me incentiva pra caramba nos afazeres, ele sempre diz: “Depois que eu te vi na cozinha entendi pq todo furacão tem nome de mulher, vai tomate até no teto” ou “ Linda, você jura que não tinha a menor noção de que não podia abrir o forno enquanto faz bolo”...Fofo, né?!
Bom, apesar de não saber fazer nada direito, fui me esforçando, me esforçando...Até que, essa semana me peguei assistindo Oprah e gostando...Ôou....Caramba, virei uma dona de casa de verdade!!!!!!
Assim que terminei de assistir fiquei tão nervosa que fiz uma lista de 10 coisas que definem em que estágio vc está no que diz respeito ao seu lar.
O que uma dona de casa faz:
E aí, como você está? Se já estiver virando uma dona de casa eu dou um conselho: beber um copinho de vinho todos os dias, afinal com álcool é mais fácil encarar essa vida...hehehe


