segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Natal de Emigrante













Passar datas importantes fora do seu país é complicado, por isso precisamos pensar muito bem no que fazer para nos divertir. Esse ano eu e o Bruno resolvemos investir no que mais gostamos: comida.

Durante esses meses estamos aprendendo a cozinhar, uma lasanha aqui, um frango ali e assim, a cada dia, ganhamos novos quilinhos e somos mais felizes.

Para a ceia escolhemos receitas da até então odiada, Ana Maria Braga. Não é que a mulher tem dicas bacanas e, além disso, mostra filminhos muito úteis. Optamos por abolir todas as tradições e apostar numa ementa simplesmente gostosa.

Eu sempre tive um problema com a ceia de Natal. Acho o cardápio todo estranho. Para começar temos animais geneticamente modificados que só comemos em Dezembro, como é o exemplo do Chester. O que é o Chester? Um frango com peitão? E o Tender? Você não encontra Tenders no Zoo, seu filho de 6 anos não te pede um Tender de aniversário...

Além dos animais misteriosos temos as frutas que servem como acompanhamento. O que é a maça com groselha??? E,o pior de todos, o Panetone. Ele é tão bonito, tão macio...E, para estragar toda essa fantasia, vem com frutas secas dentro...Eca! Aqui em Portugal ao invés de Panetone temos o “Bolo Rei”, que consegue ser ainda pior. Duro com mil coisas coloridas cristalizadas.

Enfim, estranhesas a parte, apostamos no seguro,uma boa massa, maionese, frango e sorvete. Perfeito.Com a ceia pronta e deliciosa, muitos presentes, vinhos e até sobremesas, tivemos um Natal incrível.

Ai se Jesus estivesse vendo como comemoramos o seu 2009 aniversário ficaria orgulhoso...2009? Não, quantos anos Jesus faz? 2009 tem a ver com o ano novo...Afe..Que confusão....

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Convite de aniversário.


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Um dia a casa cai – parte 2

Depois de escolher uma casa, precisávamos pensar em coisas extremamente necessárias para a nossa vida. Como somos muito parecidos, em coro decidimos:

TV
Geladeira
Cama

A TV nós já tínhamos, a geladeira nós ganhamos, então, vamos buscar a terceira, a cama.

Alugamos um carro e fomos até a Disney dos adultos, o Ikea. Lá, deitamos e pulamos em todos os colchões até acharmos aquele que parecia perfeito. Como demoramos muito para tomar a decisão, fomos os últimos clientes a sair da loja. Mas nem ligamos para as caras feias dos vendedores, afinal, iríamos ter aonde dormir essa noite.

Chegamos no carro e por 1 segundo achei que o colchão não ia caber no porta-malas...Esse 1 segundo passou para 2, 3, 4...E 5 minutos depois ainda estávamos tentando enfiar um elefante dentro de um fusqueta.

E agora? A loja estava fechada, a gente tinha um colchão gigante e não estávamos perto de nada...

Tudo estava perdido até meu lindo namorado se manifestar:

Bruno: Eu tenho uma idéia!

Então mais aliviada ouvi.

Bruno: E se levarmos o colchão no teto? Cada um segura de um lado

Carol indignada: Como assim? Sem cordas, sem nada????

Bruno: Ai Carol, pára de ser fresca, já fiz isso milhões de vezes com o Vitão.

Carol pensa que, mesmo isso não sendo normal para ela, podia ser para os outros, no caso, para o seu namorado... E, com medo de ser chamada de fresca, perua, dondoca...Responde: Ok!

Colocamos o colchão no teto, cada um segurou de um lado e saímos em direção à estrada. Tínhamos um caminho grandinho para percorrer, mas como o Bruno “já tinha feito isso milhões de vezes”eu estava, de certa forma, tranqüila.

Assim que saímos para a estrada e bateu o primeiro ventinho, minha tranqüilidade virou pó, se transformou em pânico. Mas voltei a pensar: Não vou me mostrar fresquinha, vou agüentar. Mais uns segundos, mais uns ventinhos e minha mão já estava vermelha, dormente. Era MUITA força. Mas eu tinha que agüentar, afinal, sempre fui uma menina resistente...

E nisso tudo o Bruno quieto, concentrado...

Que droga!!! O Pânico me tomou...Eu me dei conta que estava numa estrada, com um carro alugado, segurando um colchão no teto, utilizando apenas a minha mão que não é nada grande e nada firme, na cidade que mais venta no mundo...

Quando olho para o Bruno já pedindo arrego, ele me olha em pânico, com lágrimas nos olhos e diz:

Linda, era mentira, nunca fiz isso na vida e nunca vou fazer de novo. Não estou agüentando o colchão, o que vamos fazer????

E nisso, uma lagriminha caiu pelas nossas faces. Sabíamos que estávamos em apuros...

Fomos andando bem devagarinho, parando em tempos em tempos para descansar a nossa mão. Até chegarmos em Lisboa. Quando já estávamos perto da nossa ex casa um policial pára o nosso carro.

Policial: Documento do carro, carteira de motorista...E...Pq raios vcs estão carregando um colchão assim???

Explicamos todo o nosso causo e depois de uma bela bronca fomos proibidos de continuar o nosso percurso daquela forma precária. Já cansados, resolvemos levar o colchão na cabeça até a nossa ex casa. E assim fomos, a pé, despertando todos os risos e comentários das pessoas que passavam.

Agora, como íamos levar o colchão até a nossa NOVA casa???

Mais uma vez, o Bruno me surpreendeu quando enfiou o colchão dentro do carro o esmagando. Conseguimos, chegamos até o destino final.

Colocamos o colchão em casa e quando deitamos no mesmo...Ele se deformou inteiro...É claro, depois de tudo o que fizemos com ele, era o mínimo esperado

Mas só conseguimos pensar: Que droga de colchão!!! Vamos ligar para o Ikea e reclamar.

Assim, depois de alguns dias, tínhamos um colchão novo em casa. Adoro a frase"Satisfação garantida ou o seu dinheiro de volta".

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Um dia a casa cai – Parte 1

Faz tempo que não falo com vcs, ando escrevendo tão pouco, né?! Mas isso é só uma fase, aliás, uma grande fase de mudanças que já dura uns mesinhos. Primeiro mudei de trabalho, depois de casa, logo o Bruno chegou, a Fé se foi...Enfim, muita coisa acontecendo e muito pouco tempo para acompanhar esse milk-shake de emoções.

E hoje, em como homenagem a toda essa mudança vou escrever sobre ela, literalmente. Como foi me mudar da rua Légua da Povoa para a Luciano Cordeiro.

Alugar um apartamento aqui não é NADA fácil, ainda mais para um casal de brasileiros. Depois de procurar muito na internet achamos uma casa que parecia ok, num lugar bom por um preço adequado. Ligamos correndo para o corretor e marcamos a visita.

Como qualquer casal apaixonado, fomos, no caminho todo, imaginando como seria a nossa primeira casa, nosso primeiro lar...Será que teria uma sacada com florzinhas rosas, vizinhos super gente boa, uma vista para a cidade mais linda do mundo...Ai, como tudo era lindo até...Nos depararmos com a casa em questão.

Ela tinha nada mais, nada menos do que um papel assinado por algum órgão público (que eu não me recordo qual) dizendo que a mesma não tinha condições de moradia, ou seja, estava interditada. E, o pior de tudo, na frente deste papel, estava a corretora fingindo que nadaaa estava errado, tentando tapar o mesmo com as suas gigantes ancas. Sorridente, a “sem-noção nos diz”: Bom dia! Que jovem casal! Acho que vcs vão amar a casa. Sim, a casa estava caindo...Não, não íamos ficar com ela.

Na semana seguinte uma nova casa. Já com menos romantismo, mas ainda muito otimistas fomos até lá. A casa até que estava ok, mas tinha 1 pequeno problema, o dono se gabava de ter mobílias da década de 20. Tentamos convencê-lo de tirar pelo menos os sofás de veludo molhado verde, ou os armários que foram da sua tatatatataravó, mas nada...Portanto, achamos melhor não ficar com a casa...O retrô pode estar na moda, mas o mofo não.

Mais uma casa e, o casal até então otimista e romântico, já estava cético. Desta vez o prédio era um charme, mas é claro que tinham coisas estranhas. Se não, o que seria desta história? Eram 3 lances de escada. Achou que era esse o problema? Nãoooo...O problema era que o quarto se encontrava dentro da cozinha. Imaginem a cena, agora imaginem o arquiteto dessa casa. Eu tenho certeza que ele tinha orelhas de burro. Assim, descartamos mais uma opção. Nunca poderíamos fritar um hambúrguer, portanto, tanto eu, como o Bruno não conseguiríamos viver ali...hehehe

Tudo parecia estar perdido até que, encontrei uma pedra preciosa, meio bruta, eu confesso, mas não deixava de ser empolgante. Um apartamento recém remodelado, grandinho e num lugar ótimo. Seu único problema: não tinha móveis. Mas depois de muitas conversar acabamos por achar que isso não seria empecilho e assinamos o contrato.

Nós tínhamos uma casa. Do jeito que sempre sonhamos...

Mas calma que a história não acabou por aí, afinal, precisávamos de móveis....E o que eu não achava ser impecilho...Hummmm, não vou entregar cenas do próximo capítulo...Até já!

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Te encontro nos Santos". Todos os dias...






Um dia acordei com a sensação de que estava faltando alguma coisa. Saí de casa e a sensação me acompanhou, pé ante pé. Abri a bolsa e estava tudo ali, na mesma bagunça de sempre, olhei para a minha roupa e estava tudo no lugar, as mesmas manchas e botões caídos...A chave do carro na mão, o celular na outra mão...Hum, tudo ok, mas a mesma sensação de vazio... Será que me esqueci de algum compromisso, reunião, Job, telefonema, aniversário??? Não... E minha noite foi difícil, uma guerra tonta entre o sono e essa maldita sensação.

No dia seguinte, fui escovar os dentes e percebi algo de estranho, aquela sensação tinha voltado. Saco! E assim, passei mais um dia com ela insistindo em me lembrar de algo que eu não conseguia me lembrar. E de 2 dias isso virou 2 semanas, e de 2 semanas, 2 meses. A estranha sensação virou comum e se instalou no meu corpo, mais ou menos entre a 11ª e a 12º costela.

Hoje, muito mais adaptada e conformada com essa sensação, resolvi dar um nome à ela. Ela chama Fernanda. Quer saber mais sobre ela?

Ela é uma menina colorida, um pouco amarela, um pouco vermelha e um pouco azul, com muitas gotinhas. Ela gosta de viajar, comprar roupas e ouvir boas músicas. Mas até aí todo mundo, né?! Ela gosta de ver Extreme Make Over para chorar no final, gosta de dormir sem meia e de ficar com o cabelo molhado depois do banho. Adora uma cervejinha, um vinho e um cérebro, só não toma vodka, pq essa tal enlouquece. Gosta de cozinhar e deixa qualquer Dona Benta no chinelo com a sua sopa de alface.

Ela é forte, determinada e inteligente. Ah, e por mais que grandes professores tenham tentado a ensinar, ela não aprendeu a mentir.

Ela guarda todos os problemas para ela e se preocupa com os outros muito mais do que deveria. Assim, de vez em quando explode e fica com cara de mal-humorada. Tenho medo dessas horas...hehehe

Ela acha que tem cara de macaquinho, acha que é muito branca e que suas pintas são gigantes, mas ela é o máximo. Os velhos, as crianças e as plantas amam quando ela aparece. Sempre com um sorriso no rosto, o cabelo atrás da orelha e os dedos a estalar.

Ela adora falar, fala o dia inteiro e isso faz dela a pessoa mais legal do mundo. Ah, disso eu me lembro, noites em claro de conversas desprovidas de cabimento ou lógica...Diversão, também me lembro disso.

Bom, agora ela mora em mim, tudo o que aprendi e vivi estão aqui, na forma de sensações, memórias e saudades. E assim vai ser para sempre, não importa o mundo, as passagens de avião ou os bairros e sítios, importa que ela é tão especial que já tem um pedaço no meu coração reservado, exclusivamente para ela, a Fê, ou Fé.



*Obrigada por me ensinar mais coisas do que você pode imaginar...Sim, caldo de carne fica bom em tudo...hehehehe...Te amo Fezoca!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

HARDY to see CANDY to watch.





A rainha do pop passou por Lisboa e é claro que eu estava lá para assistir, cantar e pular muito.

Passei a semana inteira me preparando para o show, fiz alongamentos, ouvi muita música da década de 90 e até assisti "Procura-se Susan desesperadamente". No dia, escolhi uma roupa bem confortável, um tênis antigo, sai com o meu ingresso precioso e um imenso sorriso no rosto.

Fui com a Fê e o Bruno e no caminho para o Parque Boa Vista já começamos a pensar em estratégias para ver melhor o show, afinal, seriam 75 mil pessoas, um recorde para Lisboa.

Estava tudo conforme os nossos planos, até que...Nos deparamos com um palco a exatos 45 centímetros do chão. Sim, isso mesmo, um palco que tinha a altura de uma régua. E para que raios era aquilo? Para a nossa querida diva se sentir mais próxima do seu público.

Agora imaginem, um show para dezenas de milhares de pessoas com um palco quase que afundado. Delícia, né?! O até então Parque Boa Vista ficou apelidado por mim como Parque da Vista Nenhuma. NINGUÉM conseguia ver nada. Mas ok, o show estava prestes a começar e quiçá o palco começasse a subir, sei lá, contávamos com mega produções.

Nos localizamos na esquina entre o quinto dos infernos e o lugar onde Judas perdeu a bota, ali do lado da cerveja é claro. E 5 minutos depois, para a nossa surpresa, começamos ouvir Candy Shop. Incrível, aquela sensação foi única.

Como dizemos aqui, ela é surreal, animal, irada e insanaaaa...hehehehe

O som estava muito bom e para acompanhar as travessuras da quarentona tínhamos alguns telões, isso até começar a ventar, pq durante a noite o telão balançou tanto que ficou impossível ver algumas coisas.

Resolvi tomar coragem e ir com o Bruno até o meio da galera. Conseguimos com todo o esforço e malemolência chegar mais ou menos 10 fileiras na frente, ou seja 2534 fileiras do palco, e com isso, ver o topo da cabeça da loira. Nos esforçamos mais e passamos outras 2 fileiras, ali sim, estávamos completamente esmagados, mas enxergávamos a cantora de vez em quando.

A Madonna é um absurdo mesmo, ela faz de tudo, dança luta, pula corda, toca, é sexy, é mãe, é homem, é mulher...Putz, indescritível...

Mas o povo português não sabe "curtir"um show. Acreditem ou não, eles não cantam, não pulam, não dançam, não fazem nada...Tirando um ou outro que estava mais animado, o resto parecia estar ouvindo um debate político.

Sussa, aproveitamos por todos e quando o show terminou gritamos: bis, bis, bis, bis...Mas estranhamente a banda não voltou e o show acabou com os telões mostrando a frase GAME OVER. Poxa, vcs já foram em show sem bis??? Será que foi pq a galera era xoxa??? Pq ela estava cansada? Pq ela é uma Diva???

Bom, sendo assim ou assado, era o fim e tínhamos que ir para casa sem ouvir "like a virgin".

Saímos alegres e fomos tentar pegar um táxi - impossível, aí tentamos pegar um metrô - mais impossível ainda. A cidade parou, não tinham transportes, restaurante, não tinha nada...E assim ficamos 2 horas vagando pela cidade para tentar chegar em casa. E eu só pensava, neste minuto eu queria ter o pique da Madonna...Ah, e o helicóptero dela tb...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Piada de português.

Como vocês sabem eu uso o meu blog para contar as minhas aventuras em Portugal, coisas diferentes, conflitantes e, de preferência, engraçadas.  Mas hoje vou fazer diferente, vou inverter as coisas e contar as aventuras de uma portuguesa no Brasil. 

Minha sogra, a tuga da história, chegou nas terras canarinhas e tb enfrentou alguns probleminhas de adaptação...

Um dia ela estava em casa assistindo TV quando tocam a campanhia. Ela se levanta, vai até a porta e pergunta: Quem é?

O homem grita do outro lado: É o paneleiro

Ok, aqui vai ter que ter um parênteses: "paneleiro" em Lisboa é a mesma coisa que "viado". Então imagina alguém gritar "É o bicha aqui fora".

Bom, como o Brasil é vendido como o país da liberdade de expressão, da falta de pudor e das maluquices, ela achou um tanto bizarro, mas resolveu abrir a porta. Neste processo "sexista" ela até se considerou uma mulher um pouco mais moderna e engajada.

Ela: Pois não?
Paneleiro: Oi, tudo bom? Vim trazer estas panelas. Todas são ofertas.

Segundo parênteses: Em Portugal "oferta" é a mesma coisa que " presente".

Ela, muito esperta, pegou todas as panelas, achou aquele homem uma bicha caridosa e fechou a porta levando tudo consigo.

Resultado:  homem enlouquecido, bateu na porta e a chamou de louca. Ela ficou sem as prendas e sem entender patavinas do que tinha acontecido.

Depois de mais algum tempo de estada em São Paulo ela resolveu contratar uma empregada. E logo no seu primeiro dia de trabalho, depois do almoço, a diarista pergunta à patroa: E agora, o que eu faço?

Ela: Ah, deita no lixo.
Empregada: Deita no lixo?????

E depois de alguns minutos ela encontrou a empregada deitada no chão perto do lixo.

(deitar no lixo = jogar fora, no lixo)

Já viu, sendo aqui, cá ou acolá, sofremos por causa dessa nossa tal de língua mãe.