sexta-feira, 13 de março de 2009

O cliente tem sempre a razão. Menos em Lisboa

Lisboa é uma cidade tranquila, gostosa, muito boa de se morar. Aqui as pessoas trabalham para viver e não vivem para trabalhar, como SP. E eu gosto muito dessa filosofia, adoro sentir que estou aproveitando mais as coisas boas e dando ainda mais valor para o meu namorado, minha casa, meus amigos, minhas noites e fins de semana. Mas...Essa deliciosa “paz” tem o seu preço, e ele é alto.

Imagina só. Você no supermercado, uma fila grande, já que sempre, dos 5 caixas, só 1 funciona. Você lá esperando todas as velinhas pagarem uma conta de 87 euros com moedas de 10 centavos e, quando chega a sua vez vc ouve:

Margarida, você viu o que aconteceu com a Rita?
Com a Rita? Não vi
Ela foi passar o troco para a cliente e não tinha
E aí?
Ai que ela teve que pegar num outro caixa, que estava longe e acabou por esbarrar num dos clientes...Que derrubou um iogurte...

Papo vai e papo vem e as mulheres do caixa não estão nem aí para o seu sofrimento. Afinal, o cliente é um mero coadjuvante .

Quando chega a sua vez e vc vai feliz colocar as suas coisas no balcão, ela diz: Espera só um pouquinho que precisamos trocar a bobina.

O processo para trocar a bobina é uma arte quase milenar, funciona assim: A mulher, calmamente, acende a luz do caixa e fica parada esperando alguém notar uma leve luz amarela. Quando o supervisor percebe a mesma vai até o caixa e pergunta: O que foi? E a mulher responde: Preciso trocar a bobina. Ele se locomove outra vez e vai buscar a bobina no fim do mundo. Volta, como uma tartaruga, coloca a bobina e resolve aproveitar e contar todo o dinheiro do caixa.

Acho que não preciso explicar mais, né?! São dezenas de minutos perdidos e ninguém ligando para vc.

Sabendo de toda a falta de importância que os estabelecimentos dão aos consumidores, o governo resolveu criar o Livro de Reclamação, para que assim, toda vez que vc emputecer de vez, possa deixar isso registrado. Nos meus casos passei minutos e minutos escrevendo bíblias que pelo jeito nunca foram lidas.

Para demonstrar um pouco mais da falta de tato com o cliente vou contar um caso real e nojento, ou seja, se vc se aflige facilmente, não leia os próximos 3 parágrafos.

Eu e o Bruno fomos comprar um lanche no Burguer King. Estávamos conversando e na hora de fazer o pedido ouvimos a empregada gritando do nosso lado para o caixa que nos atendia. Olha Pedro, que nojo, vomitaram aqui!! E isso era do nosso lado mesmo, nem olhei direito e continuei pedindo o meu lanche bem rápido para não ficar morrendo de nojo.

A mulher não ligou para a gente e continuou: Olha que engraçado, a pessoa tinha comido algum tipo de marisco, dá para ver...Olha, olha.

Quando já estávamos pegando o troco ela veio até a gente com a vassoura nojenta e mostrou para o caixa os tentáculos do polvo que tinham saídos ilesos do estômago de algum cliente. Juro, a coisa mais sem noção e espanta-cliente que podia existir!!!

Bom, depois desse exemplo horrível, preciso comentar duas situações em que o cliente está sempre errado e quase tem que pedir de joelhos para ser bem atendido.

1 – Farmácia.

Ir na farmácia pode demorar horas e horas, tudo depende de quantos velhinhos estiverem lá dentro, é claro, e de como andam as novelas. As mulheres te ignoram por completo e ficam conversando sobre tudo o que é fútil. E outra, ouse interrompê-las, elas ficam bravas e te tratam pior ainda.

Outro dia falei: Minha senhora, estou com pressa.
E ela: Você não vê que estou ocupada?

*ocupada: sinônimo de discussão de novela

Imagina, eu, que só queria um remédio estava atrapalhando!!! Aposto que se eu falasse que a “Maya vai se casar com o Bahuan no Caminho das Índias” ela viraria minha melhor amiga.

2 – Táxi.

Vcs já sabem que eu odeio os taxistas mais do que tudo no mundo então nem vou me alongar na descrição...hehehe

Para onde a senhora vai?
Para a rua “Braamcamp.”
Depois de parar no “Campo Grande” eu pergunto: Peraí, o que estamos fazendo aqui?
Vc não disse “Campo Grande’”?
Não, disse Braamcamp...
Bom, já que vc não sabe fazer português é melhor descer aqui.

É isso...Tá a fim de pagar o preço? Eu estou pagando feliz da vida.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Casos e Acasos dos transportes públicos.

Existem pessoas que acham fantástico vir para a Europa e andar de transportes públicos. Consideram-nos hype, práticos e até mesmo amigos-do-verde. E, é, claro, existe eu, que não consigo entender o pq dessas pessoas pensarem assim.

No calor, você entra num metro, por exemplo, e estão todos apertados como sardinhas, suando em bica e exalando cheiros nada agradáveis. Já no inverno, quando vc se acha livre dessas coisas desagradáveis, na sua primeira viagem descobre outro fato, as tosses e os espirros. É cof-cof para cá e para lá e todos aqueles germes vão para onde??? Para vc, é claro, no caso eu, que tive até bronquite este ano.

Sei que devo estar parecendo uma fresca neste momento. Mas realmente tenho preguiça de transportes públicos e acho que já somos íntimos o suficiente para você, leitor, me entender. A única coisa boa de andar nos mesmos é ter histórias para dividir, afinal, acontecem coisas estranhíssimas...

Tem um cara na minha rua que só corta as unhas enquanto espera o ônibus . É a terceira vez que vejo ele fazendo isso no ponto. Ele leva o seu trim e fica concentrado na sua higiene pessoal, se eu posso dizer que isso é higiene. E as unhas vão caindo no chão e as pessoas vão ficando enojadas...E ele? Nem aí...hehehehe

Outro dia, no metro, apareceu a verdadeira mulher barbada. Não estou exagerando, era uma mulher que tinha barba mesmo e não era nada ralinha. A doida ainda a aparava com cuidado e, como o Bruno diz: fazia até “a mosca”. “Mosca”, para quem não sabe, é aquele quadradinho de barba que fica logo embaixo da boca. Enfim, a mulher além de ter acabado de escapar do Circo, ela ainda estava mal vestida e....Vendia sanduíches.!!! Tadinha, deu até dó, mas como ela acha que vai vender algum sanduíche???? Ela devia era fazer um curso de marketing e mudar o seu produto de venda para algum tônico capilar ou remédio para carecas...Tenho certeza que aumentaria os seus lucros.

Mais uma história sobre metros? Tudo bem... Um dia estava esperando o mesmo e já estava bem tarde. Com fome fui naquelas maquininhas e tirei um chocolate com nozes. Estava lá toda pimpona comendo o meu chocolate quando deixo cair uma noz inteira. Ao olhar para o chão dou de cara com um ratinho ( daqueles bonitinhos mesmo, não as ratazanas de esgoto de SP). Ele pegou a noz e a comeu toda. Ficou lá um tempo e fugiu. Achei fofo. Mas depois de alguns segundos ele apareceu de volta, e desta vez com a família inteira. Uns 4, 5 ratinhos me cercaram e com medo acabei dando foi o meu chocolate todo. Assim, ficou registrado o primeiro caso de assalto de ratos da história.

E, para acabar...Todos os dias eu pegava o ônibus na mesma hora e junto comigo entravam 1 mãe com um bebé de colo e duas crianças de mais ou menos 4 anos. Ela fazia o maior malabarismo e todos tentavam ajudar, inclusive eu. Normalmente me sentava perto da família e ia brincando com os garotos. Isso foi numa boa até o dia que um dos filhos dela começou a me odiar. Do nada o menino ficou alteradaço, primeiro ele chorava ao me ver e, depois, me chutava. Passei a me sentar longe, mas não adiantava, ele ia até mim e me chutava ou gritava. E os mini chutes doem, né?! E não posso fazer nada a não ser sorrir e devolver a peste para a mãe. Resultado, chego 15 minutos atrasada no trabalho pq só pego o próximo ônibus...hehehehe...Tenho medo de crianças doidas.

E assim vou levando, ou melhor, e assim vou rezando para o meu carro sair do conserto.

quarta-feira, 11 de março de 2009

De outros carnavais.






Vou contar um pouco do que acontece no mês do Carnaval de uma brasileira que mora fora.

Para começar, durante o mês inteiro, todos os portugueses perguntam: Vc não vai passar o Carnaval no Brasil?????? E eu respondo: Não...Logo vê-se que os seus rostos mudam e paira no ar um sentimento profundo de pena...E logo comentam bem baixinho: “Ai que dó, você deve estar se sentindo péssima”. E eu vou responder o que? Não, ao contrário, me sinto é feliz de não estar naquela zona e não ter que assistir 35 horas seguidas de desfiles na TV.

Então vem outra concepção geral igualmente interessante, os gringos acreditam que a gente já nasce sambando, que é tipo genético, sabe? Quando vc fala que não sabe sambar eles acham que é charminho, preguiça, vergonha ou algo do género. Não conseguem entender que tem pessoas, como eu, que simplesmente não conseguem, não têm alongamento ou prática suficiente.

Bom, aí vem uma terceira constatação, o fato deles pensarem que desfilar é a coisa mais glamurosa e incrível do universo. Sempre me perguntam: Vc já desfilou, né?! E eu respondo que sim, por acaso já desfilei em SP, só pela graça mesmo. E, entusiasmados me pedem para ver fotos. Quando mostro é uma decepção enorme, eles estão esperando ver alguém em cima de carros alegóricos com lantejoulas no corpo cantando e dançando sem parar. E quando olham as fotos descobrem que só as Maria-Chuteiras e ex-bbbs desfilam assim, o povão mesmo está sempre com fantasias tão feias, gigantes e estranhas que não dá nem para dançar, só dá para ficar rodando no próprio eixo.

Essas coisas me fazem pensar...Imagina só, uma portuguesinha resolve ir para o Rio, encomenda uma fantasia daqui por 5oo euros. Chega lá e vê que comprou uma fantasia de papagaio que é tão grande que ela não consegue pegar um táxi, tem que ir de ônibus até o desfile.

Chega na concentração e já está com a pele toda assada daquela roupa que não cabe em lugar nenhum. Vê rápido que precisa ficar do lado da ala das pessoas vestidas de abacaxi. E assim vai ficar por mais algumas horas.

A fantasia, que é inteira fechada e tem um capacete (como sempre), começa a deixá-la com muito calor e ela resolve tomar umas cervejinhas. Ok, deu vontade de fazer xixi, o que fazer? Não tem nenhum banheiro por lá, exatamente por isso que muitas pessoas estão de fraldas geriátricas. E fuja de quem não está, pq se reparar esta pessoa deve estar fazendo xixi no pé dos outros no meio da rua. O chão fica uma mistura de xixi, cerveja, sujeira e pedaços de plumas, uma delicia!

Depois de 2 horas na concentração ela já decorou um pedacinho do samba enredo e descobriu que para cantar samba é só dividir as sílabas da música. Por exemplo: Naveguei, NA- VE-GUEI, ou Lá vou eu...LÁ-VOU-EU!!!

Tá quase na hora e o espírito de união é de 100%, ou seja, estão todos tão grudados que respiram o mesmo ar. Suor com suor, fantasia com fantasia e, quando o portão abre, passo com passo. Ela deve pensar: poxa, como vou mostrar todo o meu molejo aqui? Tenta pegar um espacinho só para ela e quando consegue um 1 metro quadrado a câmera da Globo passa por perto e todas as pessoas se atiram na sua direção para ver se conseguem ter os seus 15 segundos de fama.

Opa, a pista acabou...

Como dizem: "Todo Carnaval tem seu fim"
Como eu digo: Ainda bem!

A Portuguesinha volta andando para o hotel e no caminho ainda ouve um último samba, bem de raíz, aquele que é a marca registrada do Rio. O ladrãozinho de 12 anos do seu lado diz:

"Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...
Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí..."

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O mito da Francesinha.





Eu morava num país cheio de crenças malucas, diziam que:

Comer manga e beber leite faz mal;
Comer jaca e entrar na água é fatal;
Melancia com vinho empedra no estômago;
Comer carne vermelha e peixe na mesma refeição encurta a vida;
Misturar banana com goiaba, provoca prisão de ventre;
Comer mamão com ovo pode ser fatal;
E eu nunca acreditei. Como também nunca acreditei que existiam pessoas que realmente misturavam esses alimentos...Meio nojento, não?

Mas, me mudei, e aqui em Portugal só existe uma lenda: A Francesinha.

A Francesinha é um prato típico do Porto, parece que foi criada durante a invasão francesa e é extremamente famosa até hoje. Ela é, nada mais, nada menos, do que a mistura de todas as carnes que vc conhece: linguiça, salsicha fresca, presunto, carnes frias e bife de vaca ou, em alternativa, lombo de porco assado e fatiado, coberta com queijo (posteriormente derretido). É normalmente guarnecida com um molho à base de tomate, cerveja, piri-piri. No topo vai um ovos estrelados e, ao lado, batatas fritas.

O que dizem dela? Que é como uma sereia: linda, apetitosa, mas, quando vc menos espera, ela te leva para o fuuuundo...hehehehehe

Bom, fomos para o Porto e escolhemos o lugar mais tradicional para comer. Sentamos e nem olhamos o cardápio, eu pedi um hot dog a Francesa e o Bruno pediu a Francesinha original.

O garçom pergunta para o Bruno: Quer ovo?
Bruno responde: Dois

Ele sabia que estava sendo ousado e eu sabia que essa história não ia acabar bem.

Demorou, mas chegou, o garçom extremamente chato traz a Francesinha. Ela parecia pequena, lembrava uma quiche e tinha um cheiro incrível. O Bruno, sem pensar duas vezes, a devorou. Não sobrou nenhuma batatinha para contar a história.

Saímos de lá com certeza de que tínhamos desmistificado mais uma história de Portugal. Afinal, o Bruno deu conta do recado com louvor e ainda lambeu os dedos...Ah, Sem contar os 6 pães com manteiga que comeu do couvert e as 3 latas de Sprite que acompanharam o prato.

Pegamos o carro e paramos numa igreja superbonita. Quando estávamos no terceiro andar da mesma olho para o Bruno e ele ta branco...Pergunto se está tudo bem e ele nem responde...Continuo olhando e vejo que ele fecha o olho de vem em quando...Fico meio nervosa...Ele pára de falar e só responde às minhas perguntas com ruídos: hummm...hum-hum, mmmmmm...irc...

Não sabia o que estava acontecendo e estava preocupada. De repente ele olha para mim e diz: Estou estranho, eu nunca me senti tão pesado, preciso dormir em 5 segundos.

Enquanto ele falou isso, já estava correndo em direção ao carro...Entrou, correu até o hotel e depois correu ainda mais até a cama. Dormiu feito um anjinho por horas e horas seguidas.

No mesmo dia não conseguiu jantar e no dia seguinte pulou o café da manhã e o almoço. Disse não até para a cerveja...

Resumindo: Fato comprovado...A Francesinha é realmente a comida mais pesada do mundo!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um recado para a minha mãe.







Mãe, você pediu para escrever, então estou aqui para contar um pouco das coisas que estão acontecendo.

Semana passada briguei com o meu chefe e ele sem pensar duas vezes me demitiu, tristonha resolvi aceitar um freela de promotora em shopping, daquelas que espirra perfume nas clientes, sabe? Mas como sou alérgica não aguentei 3 dias, e o pior, fui parar no hospital com manchas amarelas por todo o meu corpo. Depois de muitos exames a doutora me deixou ir para casa, desde que eu comesse apenas salada e ficasse de olho nas minhas manchas. Graças a deus elas sumiram, mas levaram 3 dos meus quilos junto. Já me imaginou comendo só alface?

De resto tudo vai bem, o Bruno arranjou um emprego na Espanha e foi morar lá, assim a casa ficou apenas para mim. Estou pensando em dividi-la com uma amiga do Iraque, mas ela anda com pessoas estranhas, então estou na dúvida.

Ah, o dinheiro acabou, mas estou tentando recupera-lo no cassino, não se preocupe.

Estou feliz, os remédios estão me fazendo muito bem e continuo achando que estou amadurecendo com todas essas pedras que passam pelo meu caminho.

Agora que eu já dividi todos os meus momentos com você, queria dizer que tudo o que escrevi é mentira, nada disso aconteceu, pode voltar a respirar...hehehehe...No entanto, queria que você não tivesse uma atenção exagerada por eu estar longe. Não precisa ficar preocupada comigo, eu estou bem, muito, muito, muito bem.

Desculpa ter que passar um tempinho longe de vc, mas pensa que a distância não tem nada a ver com o que eu sinto. Te carrego todos os dias no meu coração e te levo para onde quer que eu vá. Por exemplo, agora vamos juntas comer pasteis de Belém, que tal?

Te amo muito e te admiro ainda mais.
Um beijo especial para a super-mulher mais incrível do mundo.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Minha experiência da neve.












(As fotos representam a apenas a parte fofa da viagem)


Minha experiência na neve é…Como vou dizer…Péssima.
Não me dou bem com ela e nem ela comigo. Mas o que não fazemos por amor, né?! Resolvi desafia-la mais uma vez. Estávamos em Granada, pertinho da Sierra Nevada e seria ótimo ter um professor como o Bruno para me ensinar a andar de snowboard.

Claro que eu não tinha equipamento adequado, mas dei um jeito...Nada que um allstar, um macacão da década de 80 e luvas amarelas não resolvessem.

Pegamos o carro e seguimos viagem...Era mais longinho do que pensávamos e é claro que nos perdemos. Logo, só chegamos na montanha depois do almoço.

Estava nevando muito, muito, muito...E, por isso, fomos proibidos de tentar esquiar. Dirigimos um tempão, estávamos com frio e não iríamos fazer nada naquele lugar. Ótimo, 1 X 0 para a neve.

Bom, não ia me dar por vencida, então resolvi aproveitar para fazer todas as coisas engraçadinhas que aparecem em filmes: bonecos de neve, anjinhos na neve, escritos na neve, guerra de neve...

2 horas depois saímos de lá com uma sensação gostosa, mesmo sem ter esquiado o lugar era lindo.

Quando chegamos no carro ele estava inteirinho branco de neve. Olha que fofo...Tiramos fotos,rimos e fomos tirar a neve dali. Estava FRIO, enfiei o meu allstar em todo gelo do mundo e só depois de quase congelar consegui entrar no carro. Ótimo, liga aí o ar quente no máximo...

Já relaxados ligamos o carro e...Descobrimos que não conseguíamos sair do lugar. O carro estava preso. Neve 2 X0.

E sai do carro, e entra no carro, e acelera, e desacelera e rezaaaa...Aí o carro sai. Boa, nosso santo é forte.O carro sai e vamos andando bem devagarinho. O céu estava todo branco e não víamos nada...De repente ouvimos uma mulher gritando: Vcs estão na contramão!!!!

Tentamos virar o carro por muito tempo e não conseguimos...Estávamos no meio do nada, tudo era branco, frio...Tipo filme de terror, mas sem aquela música ao fundo. O que eu acho que é até mais aterrorizante, afinal o que é pior do que o silêncio???

Quando já estávamos quase chorando passou um daqueles caminhões de limpeza e conseguiu tirar neve o suficiente para darmos a volta com o carro. Mas nossa felicidade durou muito pouco, o carro estava escorregando e a todo segundo perdíamos o controle...Até que batemos numa parece de gelo e resolvemos deixar o carro por lá. Neve 3 X 0.

Saímos andando a procura de um lugar para ficar. Para chegar na cidade precisávamos pegar o ski-lift, mas tínhamos um problema já eram 17:35 e ele fechava às 17:30. Fiquei desesperada, mas fui até o controlador de lá, com os olhos cheios de lágrima e disse - mio carrito ficou na nieve, preciso ir para la cidade. Não sei como o homem entendeu, mas deixou a gente passar.

Todos os graus que podiam estar negativos estavam e eu só me imaginava naquele programa da Discovery – Sobrevivi, sabe?! Tipo, “Como uma menina sobreviveu à neve com apenas 1 allstar todo molhado. Assistam hoje!”

Fomos de hotel em hotel, mostramos o nosso olhar de dó e acabamos por conseguir um quartinho honesto por um preço bem desonesto.

Eu tava com tanto medo que não queria sair do quarto, confesso que até bebi água da pia do banheiro para não ter que ir porta a fora.

Dormimos na Sierra Nevada e torcemos muito para não nevar mais. No dia seguinte acordamos bem cedo e fomos embora daquela cidade do mal. Deu tudo certo, mas aprendi alguma coisas:

1 - Quando vc vir uma placa que parece um ovo do Mario Bros significa que o seu carro precisa de correntes nas rodas. Aquilo não é um ovo, é a sua roda mesmo.

2 – Na Espanha Carro = Coche

3 – Quando vc acha que mais nada pode dar errado em alguma situação é pq vc está se tornando uma pessoa ingênua.

ANO NOVO



















Tudo começou com uma pergunta:
Para onde vamos no ano novo?

Segunda-feira: Já sei, vamos para Veneza!
Terça-feira: Ixi, só chove por lá e a cidade inundou ainda mais. Não estão aconselhando ninguém a ir...
Quarta – feira: Então vamos para Atenas?
Quinta-feira: Putz, acabou de começar uma guerra civil em Atenas.. Não estão aconselhando ninguém a ir....
Sexta-feira: Então vamos...
Sábado: Então vamos...
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Granada???

Como somos extremamente organizados, resolvemos ir para Granada no próprio dia 31 de dezembro. Fizemos nossas malas 10 minutos antes de partir, imprimimos um mapinha e seguimos para a Espanha.

A estrada tava com uma chuva chatinha, daquelas que vai te perseguindo a cada curva, sabe?! Mas estávamos tão empolgados que nem ligamos.Paramos para comer um croquete gelado, tomar uma Coca quente e rapidamente continuar a viagem...Vamo que vamo.

O todo poderoso Google Maps tinha dito que seriam 6 horas de viagem e já estávamos no finalzinho das indicações...Só tinha uma coisa estranha, estávamos numa serra bizarra e em direção a uma cidade X, chamada Rute.Será que tínhamos economizado tanto no hotel que estávamos há 1 hora de Granada?

Bom, o jeito era arriscar no espanholito: Perdon, perdon...Adonde és este hotelito...(hehehehehehe)

Depois de muitas indicações e horas perdidas descobrimos algo que nos deixou pasmos: o Google Maps tinha errado...NÃO!!! O meu oráculo falhou...

E já eram 8 da noite e estávamos perdidos.

As horas foram passando, passando e nós nos desesperamos, desesperamos....Até que às 22 da noite entramos na cidade. Mas nada do hotel...Cadê, cadê. Sem brincadeira, demos pelo menos 17 voltas na mesma rotatória.

E, às 23 em ponto chegamos no Granada Inn.Peguei meu vestido branco (meio branco) coloquei 2 meias-calças, 2 blusas, 1 malha e um casacão e saí correndo parecendo uma bola de neve.

Para onde ir??? Sei lá, vamos sempre reto. E assim chegamos num centrinho lindo de morrer que fez valer as 10 horas de estrada. Descemos do carro e fomos para o meio da multidão. Estavam todos olhando para uma projeção estranha e ouvindo músicas típicas. Ganhamos fantasias, uvas e começamos a contagem regressiva, que na Espanha começa no 12, não sei pq. E foi dessa forma que 2009 começou, estava feliz, com o meu lindo conhecendo mais uma cidade maravilhosa.

Depois de pular ondinhas imaginárias, curtir muito aquele momento e beber nossa champagne barata, percebemos que as pessoas começaram a seguir outro rumo...Bom, vamos seguií-las, né?! Afinal devem estar indo para alguma festa...

Bom, andamos 2 horas atrás das pessoas e acabamos por não descobrir aonde elas estavam...Já no caminho de volta para o hotel lembramos que não tínhamos ceiado...Mas resolvemos isso muito rápido, entramos num daqueles micro restaurantes de Kebab, bem nojento e gostosos e fizemos a festaaaa.

Agora sim, estávamos prontos para ir embora...Quando...Nos demos conta de que nenhum dos dois tinha a menor noção de onde estava o carro. Andamos, andamos, andamos...E perguntamos no espanholito - Por favore, sabes donde está o nosso carrito? Coche...Cotche? Cotiche? Coxer?

Olha, foi uma noite e tanto. Uma noite que simbolizou um pouco do que eu vivi em 2008. Muita confusão, muitas horas perdidas, muito amor, muita viagem, muita beleza, muita alegria...Muita intensidade.E espero que 2009 venha com tudo isso e ainda mais, trazendo mais coisas boas para mim, e para todos vcs!

FELIZ ANO NOVO.