quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caso Maitê Proença.

Um texto que não é meu, mas também assino embaixo.

LISBOA - Acordo com telefonema de amigo indignado. Verdade. Tenho amigos indignados, mas prometo resolver o assunto em breve. "Viste o vídeo da Maitê Proença?", perguntou ele, como se a Alemanha nazista tivesse invadido a Polônia novamente.

Esfreguei os olhos, despedi-me do sono e procurei na memória o nome "Proença, Maitê". Após alguns segundos de esforço, encontrei um velho arquivo da minha adolescência. E respondi: "Mas que vídeo, rapaz?"

Ele explicou. A atriz Maitê Proença esteve em Portugal em 2007. Gravou um vídeo para o programa "Saia Justa", da Globo GNT. No vídeo, Maitê passeia pela terrinha e goza (no sentido português do termo) com a burrice dos lusitanos.

Os lusitanos não gostaram do vídeo. Lançaram petições na internet. Exigiram pedidos de desculpas, como se o Palácio do Planalto tivesse bombardeado o mosteiro dos Jerónimos.

Maitê entrou no baile e pediu desculpas: ela ama Portugal, ela ama os portugueses, ela jamais pensou em ofendê-los, e bla bla bla. De nada serviu. Os jornais e as televisões fizeram render o peixe e existem cartazes com o rosto de Maitê pela cidade de Lisboa, como no antigo faroeste. Invento, claro, mas vocês percebem a idéia.

E o vídeo? Acabei por assistir ao dito cujo, ainda em pijama, e pasmei com a insignificância do mesmo. Insultuoso? O único crime de Maitê Proença foi a sua incapacidade para produzir humor: com a exceção do momento em que a atriz brinca com o número de uma porta pregado ao contrário, o resto é infantil e entediante. Pena. Sempre gostei de piadas de portugueses. Dizem que nas piadas existe um fundo de ternura, ou de rebeldia: a atitude própria de um adolescente perante os avós conservadores e atávicos. Talvez.

Mas gosto das piadas de portugueses porque elas transportam, Deus me perdoe, um eco de verdade. Eu sei. Eu faço parte da espécie. Eu convivo diariamente com ela: com o atraso, a mesquinhez, a inveja. O provincianismo. E não existe português vivo que não tenha com Portugal essa mesma relação obsessiva, feita de crítica, sarcasmo e autofagia.

Eis o problema: se o vídeo tivesse sido feito por um português, os outros portugueses aplaudiriam. Bater na pátria é mais do que hábito; é a nossa identidade cultural.

Acontece que o vídeo foi feito por uma estrangeira. Pior: por uma brasileira. Um pormenor que altera o quadro. Duplamente. Primeiro, porque mexe com os seculares complexos de inferioridade dos portugueses: o brasileiro, como diria o Eça, pode ser um português dilatado pelo calor. Mas o Brasil é também um Portugal dilatado pela diversidade, pela riqueza e pelo gigantismo. Portugal em ponto grande. E com futuro.

Mas existe um segunda explicação para o ódio público: o vídeo de Maitê Proença foi apenas um pretexto, e um bom pretexto, para que o português típico pudesse descarregar os seus preconceitos típicos sobre os brasileiros. Esses preconceitos existem na sociedade portuguesa. E com a vaga recente de imigração brasileira mais pobre, pioraram e azedaram. Não vale a pena revisitar o cardápio de pensamentos funestos. Basta caminhar por Lisboa. Olhar. Escutar. As piadas sobre portugueses ainda têm piada. A xenofobia dos portugueses sobre os brasileiros não tem piada alguma.

Antes de assinarem petições ou pedirem a cabeça de uma atriz de novelas, os portugueses indignados deveriam perguntar seriamente quando foi a última vez que trataram um brasileiro como "ladrão" e uma brasileira como "prostituta". Tenho a certeza que a indignação passa depressa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fudeu, falei um palavrão.


Um dia normal de trabalho numa agência de publicidade de São Paulo:

Diretor de Arte: Puta que pariu, o Diretor não aprovou a campanha de novo! E isso que tava do caralho, uma puta idéia!
Redator: Porra! Não acredito...Foda-se ele, vou colocar no meu portfólio mesmo assim.

E depois vem o Português e diz que o Brasileiro fala palavrão demais... Alguém explica para eles que nada disso é palavrão, são apenas expressões de intensidade, ok?!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Por que Deus fez o inverno da Europa?

                                                        ( E viva as camadas de roupa)

O frio está chegando...Eu sei que você deve estar pensando que perto do resto da Europa aqui é quase um oásis, mas calma lá, vou tentar explicar pq não é tão fácil assim.

Imagina um inverno de uns 5 graus, ok? Pensa em como seria o seu dia-a-dia...Você acorda e a sua casa está quentinha, afinal tem um aquecimento central bárbaro, aí vc toma um banho delicioso, coloca uma roupa linda de inverno, igual aquela que vc vê em filme de Hollywood, um casaco chique, uma bota linda e um chapéu com estilo. Bom, pega o seu carro, liga o ar quente e vai cantando Feist até o trabalho. Lá estão todos aquecidos dividindo um bolo quentinho, muito humor e histórias do fim de semana.

Agora volta para a realidade de Lisboa. A minha realidade.

Eu acordo e a casa está um gelo, já que apenas 10% da população aqui tem calefação, e é claro que eu não faço parte dessa camada social. Para compensar tenho aqueles aquecedores de colocar na tomada, sabe? Tenho 2, mas se usá-los ao mesmo tempo cai a energia...Uma desgraça. Assim,levo um deles para o banheiro, que parece uma pedra de gelo. O banheiro tem 2 m por 2 m, então a chance de pegar fogo é grande, mas ok, melhor do que passar frio no boxe, afinal aqui todo mundo toma banho de chuveirinho...Imagina o sofrimento e o tempo que se leva para lavar o cabelo.

Saio do banho e coloco a maior quantidade de roupa que eu tenho no armário, vou colocando, uma em cima da outra, até ficar gordinha e ter dificuldade de locomoção. Cadê o glamour? Ficou apenas em Hollywood. É tanta roupa que mulher não precisa nem usar sutiã, não dá para ver nada...

Vou a pé para o trabalho pensando no frio que estou passando e na rua esburacada que estou andando. Então pergunto para mim mesma: Será que vai nevar e a cidade vai ficar linda? Não, aqui não neva, não vai ter diversão com bonecos de neve e esqui....Que deve ser a única coisa boa do inverno.

Assim, chego no trabalho e encontro mais 15 com frio, dividindo um café quentinho, muito mau-humor e histórias de como o verão é bom...e está longe de chegar.

sábado, 26 de setembro de 2009

Nasceu uma dona de casa.

   (Essa é a árvore que nasceu da batata aqui de casa...Surreal)

Nunca me imaginei uma dona de casa, muito pelo contrario, sempre paguei muito caro para ter empregadas, comer fora e mandar roupas para a lavanderia. Sendo assim, consegui estabelecer uma marca incrível: cheguei aos meus 25 anos sem ter descascado uma cebola ou encostar numa cândida (lixívia).

Mas foi aí que chegou Lisboa, chegou a crise e chegou a sujeira e eu tive que aprender na raça como fazer para lavar, passar, cozinhar e ainda ser feliz com tudo isso.

Confesso que não levo jeito nenhum para nenhum dos itens acima, já queimei uma tábua de passar, coloquei fogo na cozinha fritando simples batatas fritas, transformei todas as minhas calcinhas brancas em rosas e por aí vai...O Bruno,  me incentiva pra caramba nos afazeres, ele sempre diz: “Depois que eu te vi na cozinha entendi pq todo furacão tem nome de mulher, vai tomate até no teto” ou “ Linda, você jura que não tinha a menor noção de que não podia abrir o forno enquanto faz bolo”...Fofo, né?!

Bom, apesar de não saber fazer nada direito, fui me esforçando, me esforçando...Até que, essa semana me peguei assistindo Oprah e gostando...Ôou....Caramba, virei uma dona de casa de verdade!!!!!!

Assim que terminei de assistir fiquei tão nervosa que fiz uma lista de 10 coisas que definem em que estágio vc está no que diz respeito ao seu lar.

O que uma dona de casa faz:

  1.  Assistir um ou mais programas de auditório.
  2. Trocar receitas com amigas.
  3.  Achar que duas latas de milho pelo preço de uma é uma compra incrível.
  4.  Além de aguar as plantas, conversar com elas.
  5.   Ficar ofendida quando as pessoas não entendem que ser “dona de casa” é extremamente cansativo.
  6.   Separar o lixo em categorias para depois reciclar.
  7.   Considerar o seu aspirador de pó o máximo, quase um amigo.
  8.   Saber da vida de todo mundo, e assim, fofocar.
  9.    Acreditar em aparelhos de limpeza mágicos do polishop.
  10.  Pensar: Fazer a unha para que se eu tenho que lavar louça mesmo?

E aí, como você está? Se já estiver virando uma dona de casa eu dou um conselho: beber um copinho de vinho todos os dias, afinal com álcool é mais fácil encarar essa vida...hehehe

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Coisas que só acontecem por aqui.

1 - Unico lugar do mundo em que as pombas são tão lerdas que morrem todas atropeladas.

2 - Os intervalos comerciais têm a duração de exatos 28 minutos e mesmo assim publicitário ganha pouco.

3- Não sei pq, mas todos os carrinhos de supermercado e do aeroporto só andam de lado.

4 - As mulheres do buffet não deixam ninguém colocar batata e arroz no mesmo prato. É um saco!
( depois de já publicar o post uma amiga me explicou que a batata se estiver na forma frita, e só assim, pode ser misturada com arroz. Esqueçam purê, batata cozida ou sotê, tem que ser a frita!)

5 - Aqui o número de beijos ao cumprimentar alguém revela o seu status social. 1 beijos vc é rico, 2 vc é pobre.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Qual é a hora certa para morrer? De manhã, é claro!

Outro dia descobri uma coisa de real importância: aqui, só se pode morrer em horário comercial. Não é incrível?

Se você morrer à noite não te buscam até o dia seguinte, se morrer no fim de semana, só te enterram na segunda...E por aí vai...

Então comecei a me prevenir...Nada de esportes radicais depois das 6 da tarde, nada de comidas pesadas à noite, nada de atravessar à rua de madrugada e nada de ir para Chelas de fim de semana (pode ter tiroteio).

Eu sei que esse assunto é meio macabro e não combina com o blog, mas acho que ele define muito Portugal. Pensa assim, no mundo, só há uma coisa certa, a nossa morte, certo? Ou melhor, a morte de vcs...hehehehe...E até nisso este país quer dar o seu jeitinho...meio burocrático, meio preguiçoso e cheio de regras.

Ah, e tem o dramático também...Depois de morrer você ainda é levado num carro funerário inteiro de vidro, para todos acompanharem a morte de perto.

Deus me Livre, hein! Aliás...Ow, Deus...Me livre mesmo, hein!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O que não fazemos por um emprego.

Em Portugal a situação está brava, muita gente ganhando mal, infeliz com o trabalho e reclamando sem parar. E eu, desempregada, buscando oportunidades até em classificados de jornal. 

Outro dia vi um anúncio de emprego que me pareceu interessante, um pouco diferente, e por isso, chamou a minha atenção.


Não é divertido?

Bom, mas eu tinha um problema, se eu passasse para a segunda fase precisaria levar a minha mãe na entrevista (como foi pedido) e como a Dona Mônica mora no Brasil, seria impossível.

Esperei 2 dias pela resposta e recebi uma mensagem: Você passou... Legal...Agora como resolver o meu problema materno? Pensei, pensei, pensei e tive uma ótima idéia: vestir o Bruno de mulher. Ele topou!

Fomos os dois para a entrevista. Lá estavam mais 6 concorrentes que se surpreenderam ao ver a minha " mãe", mas logo começaram a sorrir, fazer piadas e mostrar que a adoraram. 

Já no começo da entrevista tivemos que nos separar, eu fui resolver um briefing enquanto ele ficou conversando com as outras mães e, só ao fim de algumas horas nos encontramos de novo. Fiquei preocupada, achei que o Bruno ia me matar, tínhamos perdido um sábado de sol para uma entrevista bizarra que já estava durando horas e não estava perto de acabar...Mas quando o encontrei vi que estava completamente enganada, ele estava super enturmado, combinando futuras viagens e pegando receitas de arroz de tomate.

Se eu passei....Não sei, mas também não importa muito, as mães garantiram um dia bem bacana, todas muitas simpáticas, cheias de histórias e muito carinhosas.

Agora...Falar que "mãe é sempre igual, só muda o endereço" é um grande erro...Minha mãe de Lisboa é um pouco diferente das outras, não é?