segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Velho eu?


Eu estava no supermercado semana passada e as filas estavam gigantescasssss, escolhi a que parecia menor e me acomodei. Atrás de mim tinha um homem de mais ou menos uns 70 anos, bem senhorzinho, sabe? Com óculos fundo de garrafa, carequinha e blusa xadrez.

 Ele parecia bem tranquilo, até que uma senhora de uns 90 anos parou atrás dele. Se ele era bem senhorzinho, ela era ainda mais, sem dentes, com longas saias e cabelinho todo branco. Ele olhou para a mulher e falou: Aquele caixa ao lado é preferencial para velhos, você tem que ir para lá, aí pode passar na frente de todo mundo. A velha surda falou: Que?!!!!!

E ele repetiu dessa vez gritando: Velho é naquela fila...Caixa preferêncial!!
E ela: Pq eu tenho que ir para aquela fila?
Então ele apontou para a placa acima do caixa que mostrava quem poderia passar a frente e começou a gritar: A senhora é grávida? Não...A senhora está de cadeira de rodas? Não...Então a senhora é velha!!! E velhos vão para aquela fila.

A velhinha sem entender nada virou para ele e falou: Ué, mas o senhor não é velho tb?
E ele gritou: Não, só tenho 74
E ela? E eu 87...Você é velho também, meu senhor. Então vamos os 2 para a outra fila.

O homem ficou enfurecido, pegou a velha pelo braço, colocou na outra fila e terminou a discussão falando para mim: "Estou de saco cheio desses velhos, você tenta ajudar e eles não dão ouvidos. São orgulhosos, sabe menina?!"

Hummmm...Sei, sei.

domingo, 8 de novembro de 2009

Um casal no Algarve.











Não é todo dia que fazemos 2 anos de namoro, então para comemorar raspamos as nossas economias e fomos dar uma voltinha no Algarve, o sul paradisíaco de Portugal.

Chegamos em Lagos numa sexta-feira de sol, o lugar é lindo e o nosso hotel parecia promissor, na frente da praia mais absurda da região (Dona Ana), com uma piscina com vista para o mar e, como não podia faltar, TV a cabo.

Fizemos o check-in e corremos para o quarto. Corremos mesmo, pq o elevador estava quebrado...

Entramos no quarto naquele clima de casal apaixonado até que, vi uma baratona daquelas bem feias vindo na minha direção, subi rapidamente na cama como se fosse um ninja e pedi para o Bruno resolver aquela situação. Ele, mostrando que é macho pra caramba, pulou para a cama comigo e também começou a gritar.

Depois de alguns minutos de pânico ele foi lá e matou a primeira, a segunda, e quando chegou na terceira barata resolveu descer, sem elevador, e reclamar do quarto. A mulher da recepção afirmou que nunca tinha visto um caso daqueles e nos passou para um outro quarto, que pelo menos parecia bem melhor. 

Depois do post da saudade não preciso nem comentar que estava morrendo de vontade de mergulhar na piscina, né?! Então  fui...Mais uns andares de escada até chegar no deck e ver a piscina linda e...extremamente suja. Putz, o que fazer? Fechei todos os buracos do meu corpo e dei um mergulho à jato...2 segundos depois já estava no chuveiro tentando tirar aquela água suja e não pegar cólera. O Bruno nem teve coragem de entrar, ficou do lado de fora contando quantas penas de pássaro estavam boiando.

Bom, mas tirando tudo isso, Lagos é um lugar incrível para ir em casal, eu acredito que deixa qualquer ilha Grega no chinelo. As águas cristalinas, o clima delicioso, as rochas amarelas, enfim a beleza natural é ofuscante. Mas além disso tem grandes restaurantes e bares. 

Na primeira noite romântica tive a brilhante idéia de pedir o prato típico "frango com piri piri"...Sendo que piri piri = pimenta...Aí se foram pelo menos 2 jarros de sangria para acompanhar, sou totalmente anti-pimenta...E depois, é claro que veio o piri-piri, como no Brasil é conhecido.

Eu acredito que um casal apaixonado se diverte em qualquer situação, e ainda bem que o Bruno também acredita nisso, mesmo com todas essas coisas tivemos uma viagem maravilhosa que com certeza vou lembrar para sempre.

Depois de Lagos demos uma passadinha em Sagres, que é a ponta mais perto do Brasil de toda a Europa. Lá tb tem paisagens absurdas, mas acredito que não tenha o mesmo charme da cidade anterior.

E foi assim que passamos nossos 2 anos de namoro e nosso último fim de semana de sol de Portugal. 

Para vc que vem passar a Lua de Mel por aqui, não deixe de conhecer Lagos. Mas me peça dicas de hotel ;)


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

O Restelo e o Careca.




Esse fim de semana fui em 2 grandes atrações que poucos turistas conhecem, mas que deveriam estar em qualquer guia de Portugal.

Podemos caracterizar Lisboa como uma cidade antiga. Aqui faltam prédios altos, complexos comerciais, grandes avenidas, enfim, falta tudo o que define uma cidade moderna. E esse é o seu charme, os prédinhos de azuleijo, muitas vezes caídos, as ruas tortas, esburacadas e o céu mais lindo do mundo fazem desse lugar, único.

Eu acho Lisboa uma graça, mas as vezes me pergunto como seria viver para sempre num lugar sem muito luxo e avanços .Vejo velhos subindo 3 andares de escada todos os dias carregando compras, vejo amigos tendo que sair das suas casas às pressas quando chove, vejo pessoas que optam por não ter carro por não terem aonde estacionar...Enfim, são mil exemplos de como a vida aqui, com os anos, pode ficar ainda mais difícil.

Então, depois de pensar muito achei a solução: Ficar rica e viver no restelo :)

O Restelo é uma parte da cidade 100% diferente do resto. É um lugar lindo, cheio de árvores, casas enormes, requinte, onde a riqueza paira no ar e as pessoas são até mais bonitas. Parece a parte residencial dos Jardins, mas com muita segurança.
Eu estou apaixonada pelo bairro, mas não conheço ninguém que more lá...Talvez esteja escolhendo mal minhas amizades...hehehehe...Então se você tem uma casa no Restelo e lê o meu blog, por favor, me convide para um cafezinho e um croissant do Careca.

O croissant do Careca é mais uma daquelas lendas urbanas de Lisboa, considerado "o melhor croissant de Portugal" é famoso não só pelos ricos, mas por nós pobres também.

Fui conferir o seu gostinho neste último fim de semana. Assim que chego na padaria vejo uma fila gigante e sinto um cheirinho dos céus. Estávamos todos lá, na busca do croissant sagrado. 5 minutos, 10 minutos, 20 minutos e nada de me atenderem...Estava um caos, todos suando, gritando e desejando aquele pedaço de pão. Tá vendo como é coisa de pobre também, duvido que rico fica naquela fila se esbofeteando com as gentalhas, quando eu tiver dinheiro e morar por lá vou pedir croissant delivery.

Bom, quando eu já estava quase desistindo vejo um outro balcão totalmente vazio, fui até lá na cara de pau e perguntei se podia fazer o meu pedido. A mulher muito simpática disse que sim, mas só se fosse para levar para casa, aceitei na hora, pedi os últimos 8 croissants da noite e fui embora feliz.

Porém a minha felicidade durou pouco. Dica do dia: tomar cuidado com os croissants quentes do Careca, se comer muitos dá dor de barriga...

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

As 3 fases da Saudade.

Eu já estou aqui há 2 anos e é engraçado que com o passar do tempo desenvolvemos vários graus de saudades.

Grau 1 - Saudade Saudosista

Acabamos de chegar e tudo nos faz lembrar dos amigos e da família...É aquela blusinha que a Pê ia gostar, aquela piada que só a Amanda ia rir, aquele comentário malvado que tem a cara da Mari...Tudo ainda é leve, quando a sua memória busca bons momentos você até fica com um sorrisinho de canto de boca.

Grau 2 - Saudade Sofrida

A saudade que até então era super numa boa vai virando algo dolorido e até físico...Muitas vezes precisamos de um abraço de mãe, um beijo do namorado, uma risada em conjunto com amigas de infância, precisamos até sentir aquele cheiro de casa...É nesta fase que todo mundo sofre muito. Você começa a perceber uma transição muito forte, de repente as pessoas começam a te esquecer, não te escrevem mais com tanta freqüência, esquecem de contar novidades importantes,não te ligam no seu aniversário...Enfim, vc começa a ser apagada daquele mundo que tanto adorava fazer parte e isso é uma sensação horrível.

Grau 3 -Saudade Simples

Depois de muitas noites de insônias regadas a lagrimas, você fica madura, pára de sofrer, afinal foi você que escolheu mudar e tem que ser forte o suficiente para lidar com isso...É a partir deste segundo de reflexão que você entra na terceira fase, fase que estou. É aqui que as pessoas começam a sentir saudades de coisas extremamente banais, coisas que faziam parte do seu dia-a-dia como vírgulas e você não se dava conta das suas importâncias.

Exemplos de coisas que eu nunca percebi que eram incríveis:

Gente, eu morro de saudades de piscina. Vcs acreditam que em mais de 2 anos eu não fui em nenhuma piscina aqui? Em SP todo prédio tem piscina e aqui, nunca vi nenhum...

Garagem. Outra coisa básica que aqui é tão rara. Como era bom estacionar o carro na minha vaguinha e apenas pegar o elevador...Ai,ai,ai...E Vallet então? Vou para o Bairro Alto de carro e demoro 30 minutos para estacionar um smart...tsc,tsc,tsc

Serviço de Delivery. Tem coisa melhor do que esperar tudo chegar na sua casa?

Pagamentos em 10 vezes sem juros. Eu vivia dividindo os meus sapatos em muitas vezes sem juros, proporcionando para mim mesma uma satisfação instantânea quase indescritível.

Porteiro. Que é uma das melhores invenções do mundo...

São tantas coisas...Isso sem contar com hamburguer com creme de milho ou pizza de catupiry.

Ainda não cheguei no grau 4...Mas quando chegar eu explico para vocês como é que é.

Beijos com saudades de tudo e de todos.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Caso Maitê Proença.

Um texto que não é meu, mas também assino embaixo.

LISBOA - Acordo com telefonema de amigo indignado. Verdade. Tenho amigos indignados, mas prometo resolver o assunto em breve. "Viste o vídeo da Maitê Proença?", perguntou ele, como se a Alemanha nazista tivesse invadido a Polônia novamente.

Esfreguei os olhos, despedi-me do sono e procurei na memória o nome "Proença, Maitê". Após alguns segundos de esforço, encontrei um velho arquivo da minha adolescência. E respondi: "Mas que vídeo, rapaz?"

Ele explicou. A atriz Maitê Proença esteve em Portugal em 2007. Gravou um vídeo para o programa "Saia Justa", da Globo GNT. No vídeo, Maitê passeia pela terrinha e goza (no sentido português do termo) com a burrice dos lusitanos.

Os lusitanos não gostaram do vídeo. Lançaram petições na internet. Exigiram pedidos de desculpas, como se o Palácio do Planalto tivesse bombardeado o mosteiro dos Jerónimos.

Maitê entrou no baile e pediu desculpas: ela ama Portugal, ela ama os portugueses, ela jamais pensou em ofendê-los, e bla bla bla. De nada serviu. Os jornais e as televisões fizeram render o peixe e existem cartazes com o rosto de Maitê pela cidade de Lisboa, como no antigo faroeste. Invento, claro, mas vocês percebem a idéia.

E o vídeo? Acabei por assistir ao dito cujo, ainda em pijama, e pasmei com a insignificância do mesmo. Insultuoso? O único crime de Maitê Proença foi a sua incapacidade para produzir humor: com a exceção do momento em que a atriz brinca com o número de uma porta pregado ao contrário, o resto é infantil e entediante. Pena. Sempre gostei de piadas de portugueses. Dizem que nas piadas existe um fundo de ternura, ou de rebeldia: a atitude própria de um adolescente perante os avós conservadores e atávicos. Talvez.

Mas gosto das piadas de portugueses porque elas transportam, Deus me perdoe, um eco de verdade. Eu sei. Eu faço parte da espécie. Eu convivo diariamente com ela: com o atraso, a mesquinhez, a inveja. O provincianismo. E não existe português vivo que não tenha com Portugal essa mesma relação obsessiva, feita de crítica, sarcasmo e autofagia.

Eis o problema: se o vídeo tivesse sido feito por um português, os outros portugueses aplaudiriam. Bater na pátria é mais do que hábito; é a nossa identidade cultural.

Acontece que o vídeo foi feito por uma estrangeira. Pior: por uma brasileira. Um pormenor que altera o quadro. Duplamente. Primeiro, porque mexe com os seculares complexos de inferioridade dos portugueses: o brasileiro, como diria o Eça, pode ser um português dilatado pelo calor. Mas o Brasil é também um Portugal dilatado pela diversidade, pela riqueza e pelo gigantismo. Portugal em ponto grande. E com futuro.

Mas existe um segunda explicação para o ódio público: o vídeo de Maitê Proença foi apenas um pretexto, e um bom pretexto, para que o português típico pudesse descarregar os seus preconceitos típicos sobre os brasileiros. Esses preconceitos existem na sociedade portuguesa. E com a vaga recente de imigração brasileira mais pobre, pioraram e azedaram. Não vale a pena revisitar o cardápio de pensamentos funestos. Basta caminhar por Lisboa. Olhar. Escutar. As piadas sobre portugueses ainda têm piada. A xenofobia dos portugueses sobre os brasileiros não tem piada alguma.

Antes de assinarem petições ou pedirem a cabeça de uma atriz de novelas, os portugueses indignados deveriam perguntar seriamente quando foi a última vez que trataram um brasileiro como "ladrão" e uma brasileira como "prostituta". Tenho a certeza que a indignação passa depressa.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fudeu, falei um palavrão.


Um dia normal de trabalho numa agência de publicidade de São Paulo:

Diretor de Arte: Puta que pariu, o Diretor não aprovou a campanha de novo! E isso que tava do caralho, uma puta idéia!
Redator: Porra! Não acredito...Foda-se ele, vou colocar no meu portfólio mesmo assim.

E depois vem o Português e diz que o Brasileiro fala palavrão demais... Alguém explica para eles que nada disso é palavrão, são apenas expressões de intensidade, ok?!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Por que Deus fez o inverno da Europa?

                                                        ( E viva as camadas de roupa)

O frio está chegando...Eu sei que você deve estar pensando que perto do resto da Europa aqui é quase um oásis, mas calma lá, vou tentar explicar pq não é tão fácil assim.

Imagina um inverno de uns 5 graus, ok? Pensa em como seria o seu dia-a-dia...Você acorda e a sua casa está quentinha, afinal tem um aquecimento central bárbaro, aí vc toma um banho delicioso, coloca uma roupa linda de inverno, igual aquela que vc vê em filme de Hollywood, um casaco chique, uma bota linda e um chapéu com estilo. Bom, pega o seu carro, liga o ar quente e vai cantando Feist até o trabalho. Lá estão todos aquecidos dividindo um bolo quentinho, muito humor e histórias do fim de semana.

Agora volta para a realidade de Lisboa. A minha realidade.

Eu acordo e a casa está um gelo, já que apenas 10% da população aqui tem calefação, e é claro que eu não faço parte dessa camada social. Para compensar tenho aqueles aquecedores de colocar na tomada, sabe? Tenho 2, mas se usá-los ao mesmo tempo cai a energia...Uma desgraça. Assim,levo um deles para o banheiro, que parece uma pedra de gelo. O banheiro tem 2 m por 2 m, então a chance de pegar fogo é grande, mas ok, melhor do que passar frio no boxe, afinal aqui todo mundo toma banho de chuveirinho...Imagina o sofrimento e o tempo que se leva para lavar o cabelo.

Saio do banho e coloco a maior quantidade de roupa que eu tenho no armário, vou colocando, uma em cima da outra, até ficar gordinha e ter dificuldade de locomoção. Cadê o glamour? Ficou apenas em Hollywood. É tanta roupa que mulher não precisa nem usar sutiã, não dá para ver nada...

Vou a pé para o trabalho pensando no frio que estou passando e na rua esburacada que estou andando. Então pergunto para mim mesma: Será que vai nevar e a cidade vai ficar linda? Não, aqui não neva, não vai ter diversão com bonecos de neve e esqui....Que deve ser a única coisa boa do inverno.

Assim, chego no trabalho e encontro mais 15 com frio, dividindo um café quentinho, muito mau-humor e histórias de como o verão é bom...e está longe de chegar.

sábado, 26 de setembro de 2009

Nasceu uma dona de casa.

   (Essa é a árvore que nasceu da batata aqui de casa...Surreal)

Nunca me imaginei uma dona de casa, muito pelo contrario, sempre paguei muito caro para ter empregadas, comer fora e mandar roupas para a lavanderia. Sendo assim, consegui estabelecer uma marca incrível: cheguei aos meus 25 anos sem ter descascado uma cebola ou encostar numa cândida (lixívia).

Mas foi aí que chegou Lisboa, chegou a crise e chegou a sujeira e eu tive que aprender na raça como fazer para lavar, passar, cozinhar e ainda ser feliz com tudo isso.

Confesso que não levo jeito nenhum para nenhum dos itens acima, já queimei uma tábua de passar, coloquei fogo na cozinha fritando simples batatas fritas, transformei todas as minhas calcinhas brancas em rosas e por aí vai...O Bruno,  me incentiva pra caramba nos afazeres, ele sempre diz: “Depois que eu te vi na cozinha entendi pq todo furacão tem nome de mulher, vai tomate até no teto” ou “ Linda, você jura que não tinha a menor noção de que não podia abrir o forno enquanto faz bolo”...Fofo, né?!

Bom, apesar de não saber fazer nada direito, fui me esforçando, me esforçando...Até que, essa semana me peguei assistindo Oprah e gostando...Ôou....Caramba, virei uma dona de casa de verdade!!!!!!

Assim que terminei de assistir fiquei tão nervosa que fiz uma lista de 10 coisas que definem em que estágio vc está no que diz respeito ao seu lar.

O que uma dona de casa faz:

  1.  Assistir um ou mais programas de auditório.
  2. Trocar receitas com amigas.
  3.  Achar que duas latas de milho pelo preço de uma é uma compra incrível.
  4.  Além de aguar as plantas, conversar com elas.
  5.   Ficar ofendida quando as pessoas não entendem que ser “dona de casa” é extremamente cansativo.
  6.   Separar o lixo em categorias para depois reciclar.
  7.   Considerar o seu aspirador de pó o máximo, quase um amigo.
  8.   Saber da vida de todo mundo, e assim, fofocar.
  9.    Acreditar em aparelhos de limpeza mágicos do polishop.
  10.  Pensar: Fazer a unha para que se eu tenho que lavar louça mesmo?

E aí, como você está? Se já estiver virando uma dona de casa eu dou um conselho: beber um copinho de vinho todos os dias, afinal com álcool é mais fácil encarar essa vida...hehehe

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Coisas que só acontecem por aqui.

1 - Unico lugar do mundo em que as pombas são tão lerdas que morrem todas atropeladas.

2 - Os intervalos comerciais têm a duração de exatos 28 minutos e mesmo assim publicitário ganha pouco.

3- Não sei pq, mas todos os carrinhos de supermercado e do aeroporto só andam de lado.

4 - As mulheres do buffet não deixam ninguém colocar batata e arroz no mesmo prato. É um saco!
( depois de já publicar o post uma amiga me explicou que a batata se estiver na forma frita, e só assim, pode ser misturada com arroz. Esqueçam purê, batata cozida ou sotê, tem que ser a frita!)

5 - Aqui o número de beijos ao cumprimentar alguém revela o seu status social. 1 beijos vc é rico, 2 vc é pobre.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Qual é a hora certa para morrer? De manhã, é claro!

Outro dia descobri uma coisa de real importância: aqui, só se pode morrer em horário comercial. Não é incrível?

Se você morrer à noite não te buscam até o dia seguinte, se morrer no fim de semana, só te enterram na segunda...E por aí vai...

Então comecei a me prevenir...Nada de esportes radicais depois das 6 da tarde, nada de comidas pesadas à noite, nada de atravessar à rua de madrugada e nada de ir para Chelas de fim de semana (pode ter tiroteio).

Eu sei que esse assunto é meio macabro e não combina com o blog, mas acho que ele define muito Portugal. Pensa assim, no mundo, só há uma coisa certa, a nossa morte, certo? Ou melhor, a morte de vcs...hehehehe...E até nisso este país quer dar o seu jeitinho...meio burocrático, meio preguiçoso e cheio de regras.

Ah, e tem o dramático também...Depois de morrer você ainda é levado num carro funerário inteiro de vidro, para todos acompanharem a morte de perto.

Deus me Livre, hein! Aliás...Ow, Deus...Me livre mesmo, hein!


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O que não fazemos por um emprego.

Em Portugal a situação está brava, muita gente ganhando mal, infeliz com o trabalho e reclamando sem parar. E eu, desempregada, buscando oportunidades até em classificados de jornal. 

Outro dia vi um anúncio de emprego que me pareceu interessante, um pouco diferente, e por isso, chamou a minha atenção.


Não é divertido?

Bom, mas eu tinha um problema, se eu passasse para a segunda fase precisaria levar a minha mãe na entrevista (como foi pedido) e como a Dona Mônica mora no Brasil, seria impossível.

Esperei 2 dias pela resposta e recebi uma mensagem: Você passou... Legal...Agora como resolver o meu problema materno? Pensei, pensei, pensei e tive uma ótima idéia: vestir o Bruno de mulher. Ele topou!

Fomos os dois para a entrevista. Lá estavam mais 6 concorrentes que se surpreenderam ao ver a minha " mãe", mas logo começaram a sorrir, fazer piadas e mostrar que a adoraram. 

Já no começo da entrevista tivemos que nos separar, eu fui resolver um briefing enquanto ele ficou conversando com as outras mães e, só ao fim de algumas horas nos encontramos de novo. Fiquei preocupada, achei que o Bruno ia me matar, tínhamos perdido um sábado de sol para uma entrevista bizarra que já estava durando horas e não estava perto de acabar...Mas quando o encontrei vi que estava completamente enganada, ele estava super enturmado, combinando futuras viagens e pegando receitas de arroz de tomate.

Se eu passei....Não sei, mas também não importa muito, as mães garantiram um dia bem bacana, todas muitas simpáticas, cheias de histórias e muito carinhosas.

Agora...Falar que "mãe é sempre igual, só muda o endereço" é um grande erro...Minha mãe de Lisboa é um pouco diferente das outras, não é?





sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Cadê a chave?


Existem fases aqui em Portugal que nos fazem surtar e o Bruno, com certeza, se encontra numa delas. 

Tudo incomoda o menino, qualquer frase vira insulto, qualquer tom de voz vira bronca e qualquer vírgula vira um preconceito, mas sabe de uma coisa, muitas vezes eu até concordo com ele.

Assim que eu fui para o Brasil o Bruno saiu de casa com pressa e quando bateu a porta se tocou de que não tinha levado a chave. Depois de alguns minutos de pânico lembrou que os bombeiros abriam portas de graça e ligou para os mesmos.

Em poucas dezenas de minutos lá  estavam eles, junto com a polícia. A primeira pergunta que fizeram foi: tem como você provar que mora aqui? E como ninguém sai de casa com comprovativos de residência, ele respondeu: não. Os bombeiros já queriam ir embora em seguida da resposta, mas ele teve uma brilhante idéia e disse: E se perguntarmos para os meus vizinhos? Eles podem comprovar que moro aqui...E assim começa a história.

Bateram na porta da minha vizinha da frente, mas como ela tem 100 e todos os anos e é surda, não ouviu, então foram bater na minha vizinha de baixo.

Só um parênteses: A vizinha de baixo tem um hobbie, passar a vida nos enchendo o saco por causa de um vazamento. Foram dezenas de reclamações, dezenas de telefonemas para bombeiros e dezenas de manhãs estragadas graças a essa chata. Uma vez ela até nos obrigou a quebrar o banheiro inteiro e tivemos que ficar 2 dias tomando banho de panela. Nessa ladainha já se vão 8 meses de problemas e ela continua achando que toda a desgraça dela vem da nossa casa.

A velha ouviu e foi atender. O bombeiro gentilmente contou que o Bruno tinha esquecido a chave e que precisava que ela o identificasse para poderem arrombar a porta. Não é que a doida olhou bem para ele e respondeu: Nunca vi na vida, não deixem esse menino entrar não!

Bom, é claro que o Bruno ficou puto, a mulher já tinha o visto trocentas vezes e estava com aquele ar de bruxa malvada da Disney. Ele tentou conversar com ela, tentou fazê-la lembrar, mas nada dela assumir. Até que eles já estava indo embora, quando a velha ao fechar a porta gritou: " Não deixe esse brasileiro entrar mesmo, ele sempre esquece a chave". O policial estranha a frase e diz: " Como assim...Sempre?"..." Então a senhora conhece o Bruno?" e ela responde: "Sim, aliás, entra um minuto no meu apartamento para ver o meu vazamento no banheiro".

A sacana fez todo mundo entrar na casa dela, ver os canos, fez a queixa e só assim liberou o Bruno para retornar ao apartamento. Assim que ele entrou, respirou fundo, foi para a varanda, viu o varal da velha chata logo abaixo, cuspiu em todas as roupas dela e ainda jogou a areia que estava na nossa bolsa de praia. Respirou fundo e saiu para o trabalho.

Quando estava fechando a porta encontrou a vizinha surda da frente, ela foi ver se estava tudo bem e ele teve que gritar tudo o que tinha acontecido, depois de estar rouco e 1 hora atrasado para o trabalho, bate a porta e pensa: Cadê a chave???

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Anabela e os 4,5 quilos.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nóis capota, mas não freia.

Nossa história de hoje tem o Bruno como protagonista, e para que já saibam desde já, ele é cogitado para entrar para a história como "O primeiro português a ser expulso do seu próprio país".

Numa tarde de sol e temperaturas altíssimas, Bruno sai de casa para tentar abrir uma conta no banco. Como já era a sua terceira tentativa estava confiante, a regra de 3 sempre funciona por aqui. Parou o smart na porta do banco numa bendita vaga e entrou no Banif.

Por algum milagre ele conseguiu abrir a conta em alguns minutos, os atendentes foram simpáticos e ele ainda teve uma série de regalias. Seria um dia bom? Acho que não...

Assim que o Bruno retorna ao seu carro e sente aquele bafão vindo de dentro do mesmo, abre os vidros com pressa e repara que um outro carro está o atrapalhando. Toca de leve a buzina e um senhor sai de dentro do veículo, segue para a sua direção e diz:

- Se eu fosse um gajo honesto chamaria a polícia!

O Bruno sem entender nada pergunta o pq daquilo tudo.

E o senhor responde: Você não reparou que é proibido parar aqui?

O Bruno continuou sem entender nada, não tinha visto placa nenhuma, mas respondeu educadamente: Desculpa, foram apenas 10 minutos...

O senhor estava indignado e continuou levantando a voz para o Bruno: Menino, como pode ser tão sem noção! Era óbvio que não podia parar ai! E que 10 minutos o que?! Fiquei 25 minutos dentro do meu carro te esperando, seu mal-educado!

Bruno: Você ficou 25 minutos tostando no carro só para me dar uma bronca?

Senhor: Sim, e esperaria muito mais.

Bruno: Então vai a merda!!!!

Senhor: Vai para onde?

Bruno: Para a merda, conhece?

O senhor ficou mais bravo ainda com a ofensa e resolveu fazer um escudo humano, se pôs na frente do carro e disse: Quero ver você sair daqui.

Resultado: atropelamento.

Se ele machucou? Pelo espelho retrovisor o Bruno viu apenas o homem a saltitar. Um Smart não deve causar mais do que um hematoma.

Se o Bruno dormiu bem com tudo isso? Melhor do que nunca.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Amiguinho de Cuiabá.

Eu nasci marrenta, simplesmente nasci assim. Filha de uma personagem brava de vestido vermelho e de um mafioso italiano só podia ter dado nisso, por isso mesmo que digo que foi "simplesmente assim". Não ligo muito de ser marrenta, acho até que é o que define a minha personalidade, mas entendo as mil críticas que levo e desentendimentos.

Outro dia um amigo disse que eu tenho problemas em expressar os meus sentimentos, dificuldade em olhar para o próximo e dizer:" cara, gosto tanto de você". Na hora aquilo não fez muito sentido, até pq estávamos bêbados e não parecia passar de mais uma conversa alcoólica. Mas de alguma forma a mensagem ficou na minha cabeça...E é a mais pura verdade, devia falar para todos que eu gosto o quanto eles são especiais para mim.

Sendo assim, quero começar por quem me fez enxergar tudo isso, meu amiguinho. Um dos poucos que conheço que entende minhas aflições e vontades, além de me fazer rir a cada vírgula. Conheci ele outro dia, logo ali, mas vai ficar para sempre aqui, comigo.

Aqui vai um textinho dele. Para variar bom, para variar, o meu orgulho.


Ah, meu Cuiabá

Queria ter nascido em Cuiabá. E queria muito, muito. Ah, minha linda Cuiabá, capital do meu enorme Mato Grosso. Cidade que por toda a sua natureza ficou conhecida como a Cidade Verde. Ah, minha Cuiabá. Queria tanto ter feito compras no Cuiabá Lar Shopping, dançado no Cuibá NightClub e ter rido com as histórias do Reginaldo e do Lambari, regado a muita Xingu, ali no Cuiabar. , como eu queria. Eu queria ficar com raiva quando alguém fizesse aquela piadinha (muito sem graça por sinal) de que uma cidade que começada com “Cu” não pode ser boa. Quem diz isso é quem não conhece. Quem diz isso não sabe o que é ser Cuiabano. Não sabe como bate o coração de um Cuiabense (por via das dúvidas vou tentar as duas formas). Na hora de rezar e agradecer a Deus por ter nascido aqui, no Cuiabá, eu iria na Igreja Rosário e São Benedito. E quando esse mesmo Deus me fizesse, por castigo, sair daqui seria sempre pelo aeroporto Marechal Rondon. Ah, meu Cuiabá, como eu queria saber que nada se compara ao sabor de um peixe de Rio preparado pelas mãos mágicas da Dona Lurdinha. E sentir que o Jardim de minha casa é o próprio Pantanal. E que a novela Paraíso, da Globo, foi quase toda filmada aqui e uma parte pequena em Paconé.

Quando por acaso eu ligasse o rádio e ouvisse uma música sertaneja, seria capaz até de cair uma lágrima. Mas não estranhe não, que o Cuiabá é terra de cabra macho e de vaqueiro. De quem ganha no laço, de quem cospe o mel e mastiga a abelha. Mas chega de falar de homem e vamos falar de quem merece: as mulheres do meu Cuiabá. Porque você pode rodar o mundo, ir aos Estados Unidos ou até ao Japão, que mulher mais bonita que as de Cuiabá não vai encontrar não. Esse cabelo de índia com esse jeito de menina só há em um lugar.

Ê mundão. Seria aqui que teria me criado meu pai e onde eu iria criar meus filhos. Saber que mais do que a cor dos olhos e dos cabelos, o que eu passaria a eles seria o respeito e a força que só quem leva na alma o cheiro da fazenda tem. E nessa terra de fazendeiro, não tem como não perder a cabeça com o trânsito na Avenida Historiador Rubens Mendonça. Especialmente ali na altura do Hospital Otorrino. (alô prefeito Wilson Santos, será que o metrô superfície não é a solução????). Pais, filhos, irmãos, primos e amigos seria lá que eles iriam morar. Com exceção do Euler, aquele maluco, que se mudou pra São Paulo. De que adianta estar rico e não ter saúde? Eu teria pescado muita Piapara e Pacu na Zona da Gruta. Eu ia ter orgulho em defender que é bem capaz do Bagre Gigante ser ainda maior que o tão comentado Pirarucu da Amazônia. E seriam tantos rostos conhecidos no meio dos nossos 550 mil habitantes. Eu ia saber que os Bandeirantes vieram para cá por causa do nosso ouro. Mas que quem vive aqui sabe que a terra é que é o nosso maior tesouro. Eu ia gostar muito de comprar no mercado do Porto, que tantas delicias tem. Lugar ótimo também para um relaxante passeio aos domingos. Eu ia encher o peito na hora de falar que nosso centro histórico foi tombado como patrimônio histórico nacional. Eu ia acertar meu relógio pelo relógio da catedral. E ia sentir falta de cada segundo longe do meu Cuiabá.

É, eu queria. Eu queria muito. Mas eu sou carioca. E por isso tenho que agüentar essa saudade escrota toda vez que vejo uma foto da praia de Ipanema.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Piada do dia.

Qual é o único lugar do mundo em que uma carteira de motorista vale por 50 anos, enquanto uma identidade vale apenas por 5?

A - Neverland
B - País das Maravilhas
C - Lisboa
D - Springfield
E - Gothan City

Agora vamos refletir um pouco. O que pode acontecer com uma pessoa em 5 anos para alterar um RG? Casar é uma delas, mudar de sexo outra...Hummmm, mas alguma? E o que pode acontecer nos próximos 50 anos que vá mudar o seu jeito de dirigir? Acho  que tudo, né?! Inclusive a invenção de carros voadores.


sexta-feira, 10 de julho de 2009

Melhor de 3.



Alguns países são ligados a números, por exemplo: na China, todos têm que ser o número 1, nos EUA todos gostam é de comer o número 1 e no Brasil, dizem que o número 1 é o Pelé. Já em Lisboa, o número 1 não vale nada, o 2 também não e o 3 número da vez.

Aqui você precisa de pelo menos 3 vezes para tudo, por exemplo:

Quer abrir uma conta no banco? 

Ok, a primeira vez que vc entra no banco o atendente, muito simpático diz: como posso ajudar?
E vc fala: Quero abrir uma conta.
Com um faro completamente aguçado ela já sabe, pelo ar, que é a sua primeira vez lá. Muito calmamente começa a ver todos os papéis e documentos que você trouxe. Em poucos segundos, o sorriso de servente se transforma numa cara de "comeu e não gostou" e ele solta a onomatopeia mais afiada de todas: hummmmmm...

Quando vc ouvir isso, já sabe...Não vai dar certo.

E ele diz: Por acaso você lembrou de trazer o documento comprovando que você realmente mora no seu prédio e assinado por 5 vizinhos que precisam ir juntos com você até a Junta da Freguesia para fazer um relatório de bom morador?

E você fica com aquela cara de idiota e de tanta raiva só consegue responder: O que?

E ele, da mesma forma que antes só diz: Por acaso você lembrou de trazer o documento comprovando que você realmente mora no seu prédio, assinado por 5 vizinhos que precisam ir juntos com você até a Junta da Freguesia para fazer um relatório de bom morador?

É claro que você não tem isso e nunca nem ouviu falar disso. Então pega o seu rabinho triste, coloca entre as pernas e volta para casa para resolver isso.

Para conseguir a assinatura dos 5 velhinhos vizinhos você demora 2 meses...São 2 meses sem conta em banco vivendo praticamente como pedinte.

Você volta lá depois de todo esse stress e a atendente que está no caixa nem te pede o documento dos velhinhos. Ok, trabalho jogado fora.

Então, quero abrir uma conta.
Atendente: Hummmmmm

Caramba, de novo...

Atendente: Já são 15:38 e nosso sistema acaba às 16:00. Desculpa, mas não tem como.

Mais uma vez você sai de lá traumatizada.

Mas....Da 3ª vez, como mágica, é tudo simples. Vc chega, ninguém vê direito os seus documentos e vc sai com uma conta no banco e ainda um desconto no plano de saúde. Dá para entender?

Isso se aplica para tudo, inclusive romances.

Convida uma menina para sair. Da primeira vez ela fala: nem pensar
Da segunda: Claro que não!
E da terceira vez: Por que demorou tanto?!

Bom, é assim que vivemos por aqui, ou melhor, sobrevivemos. Se 1 é pouco, 2 continua sendo pouco e vamos torcer para o 3 ser de mais.

 

Saindo do período sabático.

E voltando a escrever.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Sul da Itália - Parte 3









Acordei bem cedo e resolvi pegar uma excursão para Capri. No meu barquinho tinham 8 americanas frenéticas da minha idade, o que tornou o passeio no mínimo engraçado. Para começar, enquanto eu estava de calça e moleton, elas estavam querendo mostrar os seus novos biquinis, que elas achavam superrr pequenos, e, qualquer brasileiro acharia uma fralda.
Fomos conversando o caminho todo e vendo as milhares de diferença entre morar em New Jersey e onde elas achavam que eu morava, Buenos Aires, " a capital do Brasil". Depois de uma breve explicação sobre geografia, samba e futebol, as coisas ficaram mais encaminhadas.

Chegamos em Capri e me separei delas, afinal 8 americanas de 20 anos só são suportáveis durante algumas horas. A ilha era chiquérrima, dava para imaginar facilmente uma mesa de almoço com o Picasso, Frank Sinatra e, de quebra, a Carolina de Mônaco. Todos por lá pareciam ricos, sofisticados e extremamente elegantes.

Agora imagina todos essas pessoas chiques carregando as suas malas caríssimas e as suas jóias de milhares de quilates numa fila de mais de 1 hora, completamente bagunçada, tentando pegar um bondinho para rsubir na melhor parte da ilha. Bizarro...

Bom, fiquei na fila, sendo esmagada por mais de 1 hora, quando consegui subir. Em cima era ainda mais chique, cheio de hotéis 5 estrelas e restaurantes que adorariam ter a chance de me expulsar pelas roupas que eu estava vestindo. Tirei fotos, almocei um sorvete e voltei em direção ao meu barco. E aí foi quando o dia começou a ficar legal.

O dono do barco, nosso motorista, era o máximo e perguntou se não queríamos fazer a parte menos turística da região e, por conseqüência, a mais legal.

Aceitamos na hora e fomos para um tour de barco no meio de grutas, cavernas e lugares paradisíacos com a água tão azul quanto a água dos meus sonhos.

Paramos em uma gruta e ele disse: Agora vamos nadar. Eu estava até empolgada, mas com os 20 graus que estavam fazendo eu só me preocupava com o frio que ia passar...Mas é aquela coisa...Oportunidade única e tal...Pensei 2 vezes e me atirei na água. A água não estava fria, estava congelada e o meu coração começou a bater tão forte que eu achei que ia ter um ataque. Fingi que estava tudo bem, fingi que também sabia nadar e graças a Deus, na verdade, graças a correnteza, cheguei onde todos estavam. 

Depois de recuperar o fôlego vi que as pessoas já estavam se preparando para a próxima aventura. Pular de uma pedra que tinha ali perto. Ok, mais uma vez pensei na teoria das oportunidades únicas e fui também. Foi bem divertido.

Voltamos nadando até o barco e eu, claro, engolindo água e me aprimorando na natação do estilo cachorrinho.

Mais uns 20 minutos, mais uma pausa. Agora era a chance de entrar a nado na famosa gruta azul. Das 8 meninas, apenas 3 tiveran coragem...E lá fui eu de novo fingir que sabia nadar. Fui engolindo água por todos os buracos do meu corpo até atravessar a gruta. Foi horrível, mas quando vi que tinha conseguido entrar e entendi o pq do nome Gruta Azul, o mundo parou e tudo fez sentido. Aquele lugar é lindo...

Voltei nadando, engolindo mais e mais água, mas apaixonada. Tudo valeu a pena.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sul da Itália - Parte 3

No terceiro dia de viagem eu resolvi comprar um pacotinho de excursão até Capri. Eu e mais 7 americanas da minha idade partimos cedo de barco 

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Sul da Itália - Parte 2

Cheguei em Sorrento e escolhi um hotel bem bonitinho para me instalar pelos próximos dias.  A cidade era uma graça, mas eu estava na busca de uma praia para tirar essa cor amarelada que grudou em mim e não parece ir embora tão cedo. Peguei um mapa e segui em direção aPositano.

Depois de 45 minutos de ônibus na costa Amalfitana, cheguei ao meu destino. Um lugar lindo, lindo mesmo, parecia uma favela, mas extremamente organizada e chique. O Rio devia seguir esse modelo...

A praia era pequena, mas com um mar azul turquesa, acompanhado de uma vila supercharmosa com ruas estreitas, muitas lojinhas e restaurantes, o que fazem do local, único. Só tinha um problema eu estava no topo da montanha olhando essa vista maravilhosa, mas não sabia como chegar até lá. E só então me deparei com o meu maior inimigo: as escadas.

              (Aqui era exatamente aonde eu estava...longeeeee da praia)


Não tive muita escolha, sai andando, descendo, descendo, descendo, me perdendo e só depois de 1 hora e meia eu cheguei no meu real destino. A vila estava cheia e tudo era muito caro, mas mesmo assim era maravilhoso. Como não dava para tomar sol por causa do friozinho que estava fazendo, resolvi passar nas lojinhas, almoçar muito bem e tirar fotos. Estava tudo muito bem, até que eu abri o mapa da cidade e estava escrito " último trem às 17:00".  Entrei em pânico, tinha pelo menos 2647505 degraus para subir e já tinha passado das 15:00.

Sai correndo de lá e comecei a maratona, subir, subir, subir...parar um pouquinho, beber água...subir, subir, subir, parar um pouquinho e lembrar como é respirar...Subir, subir, subir, parar um pouquinho e chegar a conclusão de que eu realmente não sou mais novinha, não.

Até que 16:59 eu cheguei no ponto e logo, logo o ônibus também chegou. Ele parou, mas não abriu a porta da frente, sem entender nada entrei na porta de trás. Foi aí que tudo fez sentido, se a lotação máxima era de 80 pessoas, tinham umas 140. Todo mundo em pé, cheirando mal e gritando como só os italianos sabem fazer. O cara da minha frente era bem maior do que eu o que me deixava numa situação horrível, a minha cabeça dava exatamente na altura do seusuvaco...E suvaco vindo da praia tá longe de ser gostoso...Fiquei alguns minutos sem saber o que fazer, morrendo de nojo, vendo aquela serra perigosa e imaginando que os 45 minutos que eu estaria lá passariam como 45 horas. Foi então que eu desencanei da compostura e sentei no chão do ônibus, abri um livro e fui levando joelhada o caminho inteiro. Mas acreditem, foi de longe a melhor opção.

Quando cheguei no hotel, não conseguia nem pensar...Me joguei na cama e dormi até o dia seguinte











terça-feira, 12 de maio de 2009

Sul da Itália - Parte 1




Tem horas que a gente cansa de morar na Europa, tudo parece tradicional demais, lento demais e pequeno demais. E quando isso acontece só há uma coisa que possamos fazer para voltarmos a gostar daqui: comprar uma passagem de avião bem barata para algum lugar desconhecido.

Assim, semana passada eu fui parar no sul da Itália e conheci - Nápoles, Pompéia, Sorrento, Positano e Capri. Vou tentar contar um pouquinho de cada aventura.

Nápoles

Já tinham me dito que Nápoles era feio, mas li em algum lugar que lá tinha a "melhor pizza do mundo" e como eu sempre acredito nestas coisas parei na cidade para ficar 1 dia. O que diziam que era feio é ainda pior, pensem no Largo da Batata... Com certeza o lugar mais sujo e perigoso que eu já vi. Cheguei no meu hotel bizarro, deixei tudo o que eu tinha de valor lá e fui em busca da pizza. 

Andei por mil camelôs, pelas pessoas mais feias do planeta, sarjetas imundas e cheguei. O lugar era superrr discreto, mas tinha um cheirinho ótimo. Pedi um lugar para sentar e fui parar numa mesa minúscula com mais 2 pessoas desconhecidas, já achei estranho, mas tudo bem. No cardápio só 2 sabores: marguerita ou marguerita com alho...Ok, escolhi a primeira e uma cerveja que veio quente num copinho de plástico. Para melhorar ainda mais o serviço, os garçons não se esforçam nem para entender- " Please, one marguerita." então você tem que optar pela mímica e passar alguns segundos de vergonha diante um restaurante cheio. Mas acreditem, mesmo com tudo isso, eu sai de lá feliz. Será que é milagre??? Não...É a melhor pizza do mundo, comprovadamente.

Já fora da pizzaria percebi que eu estava no lugar mais difícil de atravessar a rua do mundo. Em Nápoles não tem farol então as pessoas vão se jogando sob os carros até conseguirem chegar do outro lado. Eu esperava alguém atravessar para ir junto e, claro,  ia rezando durante a travessia toda, imagina morrer num lugar feio daqueles! 

Fui em direção ao museu nacional de lá, que é até bacaninha, mas juntar muitos italianos num espaço fechado deixa o lugar quase insuportável, eles falam numa altura de voz que deve ser até perigosa para o tímpano, e começam desde cedo, aqui os bebês não choram, eles berram. 

Meu dia em Nápoles estava no fim, graças a Deus...hehehehe. Fui para a estação pegar um trem até Sorrento. Sempre me imaginei como nos filmes, andando num trem lindo, passando na costa de Itália com alguma trilha musical fantástica ao fundo. E na real, o ipod até que estava contribuindo para a trilha, mas o caminho percorrido pelo trem deixa bastante a desejar e o trem nem deveria chamar trem, é um metro apertado que me fez ficar em pé segurando as minhas malas por 1 hora. 

Mas enfim, cheguei em Sorrento e tudo começou a melhorar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Quanto vale o show?

Uma breve história para um dia com um breve momento de folga.

Há alguns meses a crise invadiu o meu país, a minha cidade e, consequentemente, o meu bolso. Logo, tive que me livrar do meu bem mais precioso, a minha empregada. Ok, já estava um pouco de saco cheio, ela já estava acomodada, lerda e nunca conseguíamos entender o que ela falava, era um tipo de dialeto complicadíssimo.

Mas o tempo foi passando, a poeira acumulando, as roupas estragando e então fomos forçados a voltar a pensar numa diarista. Mas desta vez eu queria contratar alguém, de preferência, com TOC, para ter sempre vontade de arrumar as minhas coisas.

Um dia estava fazendo a unha, com a minha manicure  e resolvi perguntar: Gi, vc conhece alguma empregada que seja o máximo dos máximos.

E ela: Claro, a minha...Ela é ótima...Mas é cara.

Peguei o telefone mesmo sabendo que a empregada era cara e resolvi ligar.

Eu: Oi Marilene, tudo bom? Queria uma empregada para trabalhar umas 5 horas por dia em casa e tal, vc está interessada?
Ela: Sim, sim, posso ir, me fala o seu endereço.
Eu: Luciano Cordeiro...
Ela: Tá, eu vou com o meu carro, tem onde estacionar?
Eu: Sim, logo na porta

Desliguei o telefone feliz de ter encontrado uma empregada, mas logo me bateu uma tristeza que eu não sabia da onde estava vindo...Pensei, pensei, pensei...E cheguei a uma conclusão:

A minha manicure tem uma empregada cara
A empregada cara tem um carro
Eu não tenho nem carro e nem empregada
Então pq raios eu fui escolher ser publicitária??????

quinta-feira, 26 de março de 2009

Síndrome de Peter Pan. A minha favorita.

Antes dos 26: me divertindo

Depois dos 26: pagando contas.


Os tempos mudaram, hoje uma criança aprende a ler com 5 anos, uma menina perde a virgindade aos 14 e a Carol entra na famosa crise da meia idade em plenos 26.

Com 26 anos você já não tem mais a “desculpa” de ser jovem. Já não paga mais meia entrada em shows, cinemas, viagens, já está fora das pesquisas de mercado e, o pior, o seu seguro de saúde já é um pouquinho mais caro.

E agora? Virou adulto...Vai, levanta da cama, trabalha 10, 12 horas por dia para juntar dinheiro para comprar uma casa. Comprar uma casa? E a parte linda da independência que o aluguel te dá? Esquece...Independência não combina com a vida adulta, deixa a palavra que te marcou durante os últimos anos de lado e comece a gostar de outra: estabilidade.

Quer sair á noite, beijar um desconhecido e voltar feliz para casa? Não pode, quando sai com um homem já precisa perguntar se ele tem apartamento próprio, planos para o futuro e analisar se ele tem bons genes para ser pai. Gostou do cara, mas ele é orelhudo? Deixa a fila andar, o relógio está correndo contra você e o seu futuro marido tem que estar por aí.

Quer sair á noite beber um pouco a mais e chegar de ressaca no dia seguinte no trabalho? Não pode, não há espaço para enganos, se você errar uma vírgula por causa dos pós-efeitos da vodka a sua empresa perde milhões e você é demitida.

Quer começar algum idioma? Na-...Na sala só vão ter pivetes e você vai se sentir muito mal.

Ok, todo o lado ruim está explicado aqui em cima. Quer saber o lado bom de virar adulto? Eu também...Por enquanto não achei, por isso mesmo que chamo esse momento de: CRISE. Mas calma, também não estou com aquelas idéias malucas de começar a pescar e comprar uma porsche...Estou só aprendendo a viver como adulta. Já sei cozinhar, me maquiar, pagar impostos e já entendi que uma bolsa de couro vale 10 vezes mais do que 5 bolsas de plástico. Creio que estou no caminho certo. Daqui a pouco vou ficar mais azeda, perfeccionista e chata...Já estou me preparando...

Não acho que esse seja o fim do mundo, mas é o meio...hehehehe...Amigos casando, comprando empresas, tendo filhos, enfim, tudo o que parecia estar tão longe está do outro lado da rua. E o que eu espero mesmo é conseguir curtir tanto essa fase quando curti a minha fase “ jovem”. Porque conheço pouquíssimas pessoas que viveram cada segundo da juventude como eu.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O cliente tem sempre a razão. Menos em Lisboa

Lisboa é uma cidade tranquila, gostosa, muito boa de se morar. Aqui as pessoas trabalham para viver e não vivem para trabalhar, como SP. E eu gosto muito dessa filosofia, adoro sentir que estou aproveitando mais as coisas boas e dando ainda mais valor para o meu namorado, minha casa, meus amigos, minhas noites e fins de semana. Mas...Essa deliciosa “paz” tem o seu preço, e ele é alto.

Imagina só. Você no supermercado, uma fila grande, já que sempre, dos 5 caixas, só 1 funciona. Você lá esperando todas as velinhas pagarem uma conta de 87 euros com moedas de 10 centavos e, quando chega a sua vez vc ouve:

Margarida, você viu o que aconteceu com a Rita?
Com a Rita? Não vi
Ela foi passar o troco para a cliente e não tinha
E aí?
Ai que ela teve que pegar num outro caixa, que estava longe e acabou por esbarrar num dos clientes...Que derrubou um iogurte...

Papo vai e papo vem e as mulheres do caixa não estão nem aí para o seu sofrimento. Afinal, o cliente é um mero coadjuvante .

Quando chega a sua vez e vc vai feliz colocar as suas coisas no balcão, ela diz: Espera só um pouquinho que precisamos trocar a bobina.

O processo para trocar a bobina é uma arte quase milenar, funciona assim: A mulher, calmamente, acende a luz do caixa e fica parada esperando alguém notar uma leve luz amarela. Quando o supervisor percebe a mesma vai até o caixa e pergunta: O que foi? E a mulher responde: Preciso trocar a bobina. Ele se locomove outra vez e vai buscar a bobina no fim do mundo. Volta, como uma tartaruga, coloca a bobina e resolve aproveitar e contar todo o dinheiro do caixa.

Acho que não preciso explicar mais, né?! São dezenas de minutos perdidos e ninguém ligando para vc.

Sabendo de toda a falta de importância que os estabelecimentos dão aos consumidores, o governo resolveu criar o Livro de Reclamação, para que assim, toda vez que vc emputecer de vez, possa deixar isso registrado. Nos meus casos passei minutos e minutos escrevendo bíblias que pelo jeito nunca foram lidas.

Para demonstrar um pouco mais da falta de tato com o cliente vou contar um caso real e nojento, ou seja, se vc se aflige facilmente, não leia os próximos 3 parágrafos.

Eu e o Bruno fomos comprar um lanche no Burguer King. Estávamos conversando e na hora de fazer o pedido ouvimos a empregada gritando do nosso lado para o caixa que nos atendia. Olha Pedro, que nojo, vomitaram aqui!! E isso era do nosso lado mesmo, nem olhei direito e continuei pedindo o meu lanche bem rápido para não ficar morrendo de nojo.

A mulher não ligou para a gente e continuou: Olha que engraçado, a pessoa tinha comido algum tipo de marisco, dá para ver...Olha, olha.

Quando já estávamos pegando o troco ela veio até a gente com a vassoura nojenta e mostrou para o caixa os tentáculos do polvo que tinham saídos ilesos do estômago de algum cliente. Juro, a coisa mais sem noção e espanta-cliente que podia existir!!!

Bom, depois desse exemplo horrível, preciso comentar duas situações em que o cliente está sempre errado e quase tem que pedir de joelhos para ser bem atendido.

1 – Farmácia.

Ir na farmácia pode demorar horas e horas, tudo depende de quantos velhinhos estiverem lá dentro, é claro, e de como andam as novelas. As mulheres te ignoram por completo e ficam conversando sobre tudo o que é fútil. E outra, ouse interrompê-las, elas ficam bravas e te tratam pior ainda.

Outro dia falei: Minha senhora, estou com pressa.
E ela: Você não vê que estou ocupada?

*ocupada: sinônimo de discussão de novela

Imagina, eu, que só queria um remédio estava atrapalhando!!! Aposto que se eu falasse que a “Maya vai se casar com o Bahuan no Caminho das Índias” ela viraria minha melhor amiga.

2 – Táxi.

Vcs já sabem que eu odeio os taxistas mais do que tudo no mundo então nem vou me alongar na descrição...hehehe

Para onde a senhora vai?
Para a rua “Braamcamp.”
Depois de parar no “Campo Grande” eu pergunto: Peraí, o que estamos fazendo aqui?
Vc não disse “Campo Grande’”?
Não, disse Braamcamp...
Bom, já que vc não sabe fazer português é melhor descer aqui.

É isso...Tá a fim de pagar o preço? Eu estou pagando feliz da vida.